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Remuneração da poupança volta a ser questionada

Grupo do Senado contra a crise avalia, diante da queda da Selic, necessidade de reduzir ganho com caderneta

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

A forte queda da taxa básica de juros trouxe de volta à equipe econômica a discussão sobre a remuneração da poupança e a necessidade de, futuramente, reduzi-la para não atrapalhar a continuidade do processo de corte da Selic. Esse foi um dos temas abordados ontem na reunião do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com senadores do grupo de acompanhamento da crise do Senado. O assunto foi levantado pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Os relatos divergem se Meirelles teria colocado o problema como um empecilho para uma queda maior nos juros, mas de qualquer forma, o assunto foi abordado por ele na reunião. Por enquanto, o patamar da taxa Selic ainda não configura um problema de distorção dos rendimentos das aplicações financeiras, porque enquanto a Selic está em 11,25%, o rendimento nominal da poupança (TR mais 6%) está na casa dos 8%. Os senadores acreditam que o governo deve buscar uma solução para o dilema em prazo relativamente curto, já que novos cortes na Selic estão sendo esperados para os próximos meses. O presidente do BC teria afirmado que a remuneração da poupança pode gerar uma distorção, como a que ocorreu em 2007, quando a Selic atingiu pela primeira vez seu piso histórico 11,25%. Naquele ano, o BC chegou a reduzir o rendimento da poupança mudando a fórmula de cálculo da TR.Com a Selic cada vez mais baixa, a rentabilidade dos fundos de investimento, descontando-se Imposto de Renda e taxa de administração, se aproxima da verificada na poupança - que tem rendimento quase fixo e é livre de impostos e de taxa de administração. Nesse cenário, o risco é de uma migração em massa de recursos aplicados em fundos para a caderneta de poupança. Tal cenário teria impacto nos bancos, já que reduziria a clientela dos fundos de investimento e aumentaria o volume de recursos que teriam que obrigatoriamente ser emprestados para habitação. A situação também afetaria a gestão da dívida pública. Mas as opiniões sobre o efeito não são consensuais. Embora alguns presentes à reunião tenham colocado que o impacto dessa migração seria negativo para a gestão da dívida, reduzindo a demanda por papéis do governo, fonte do ministério da Fazenda disse que não necessariamente essa situação seria ruim.Essa situação, segundo essa fonte, obrigaria os gestores de fundos a saírem da "zona de conforto" das aplicações em LFTs (títulos vinculados à Selic) em que hoje vivem para adquirir papéis prefixados (com taxa definida no momento da venda do título) ou atrelados à inflação, com prazos mais longos. Por meio desse movimento de troca de opções de investimento seria possível ampliar a rentabilidade de suas carteiras e ganhar da poupança. Dessa forma, haveria uma melhora no perfil da dívida pública.JUROSA redução da taxa básica de juros (Selic) vai ter pouco efeito para os consumidores, de acordo com simulação (ver quadro) da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).Em média, a redução da Selic resulta numa queda de 1,59% nas taxas de juros mensais cobradas da pessoa física. A Anefac informa que os juros devem cair mais no futuro, porque uma taxa básica menor traz menos retorno para o dinheiro aplicado em títulos públicos. Isso estimula os bancos a emprestarem mais, aumenta a concorrência e leva à redução nos juros. COLABOROU PAULO JUSTUS

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