DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Renan Filho diz esperar que imbróglio da Ceal seja resolvido até o final do ano

Governador de Alagoas, Renan Filho, admitiu que liminar não impede a liquidação da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), distribuidora da Eletrobrás no Estado

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2018 | 14h50

O governo de Alagoas quer chegar a uma solução para o imbróglio envolvendo a privatização da Ceal, distribuidora de energia da Eletrobrás no Estado, até o fim deste ano, afirmou nesta terça-feira, 6, o governador Renan Filho (MDB). A União pretende leiloar a companhia, mas o Estado conseguiu uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) barrando a venda alegando que tem uma dívida a receber desde a época da federalização da estatal. A liminar, porém, não protege contra uma eventual liquidação da Ceal, admitiu Renan Filho.

O governador esteve hoje com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, para discutir a situação da empresa, que está com o processo de privatização parado por conta do embate judicial. Alagoas quer abater R$ 250 milhões de sua dívida de cerca de R$ 6 bilhões com a União pela venda da Ceal, mas o governo federal nega a existência desse débitos.

A liquidação é uma possibilidade para solucionar o problema da Ceal, uma das seis distribuidoras deficitárias da Eletrobrás, caso o governo não consiga privatizá-la. Nesse cenário, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizaria o leilão da concessão pura, como se fosse um novo empreendimento, sem dívidas e trabalhadores, encerrando qualquer possibilidade de ressarcimento ou indenização a Alagoas.

O governador buscou minimizar a possibilidade de uma liquidação da empresa, alegando que haveria custos para a própria União. Ele disse ainda que o Estado pode ingressar com pedido de liminar contra uma eventual liquidação, embora isso não esteja sendo considerado no momento. "A liminar não protege contra a liquidação, mas sempre podemos pedir", afirmou.

Até agora, quatro das seis distribuidoras deficitárias da Eletrobrás já foram leiloadas. Além da Ceal, a privatização da Amazonas Energia também está parada, mas o governo deve editar uma Medida Provisória (MP) para destravar esse processo, como antecipou o Broadcast.

Renan Filho disse que precisa defender o direito de Alagoas de abater parte da dívida e afirmou que a União "não perderá receitas", uma vez que o impacto da transação sobre o serviço da dívida pago pelo Estado é pequeno. "O que a União perde é uma grande oportunidade de resolver a questão", disse.

A Ceal pertencia ao Estado de Alagoas até 1997, quando foi federalizada e incorporada pela Eletrobrás em um acordo para renegociação de dívidas estaduais. Em troca, o governo alagoano recebeu um adiantamento da União de R$ 229,7 milhões (a preços da época), equivalentes à metade das ações da companhia. O restante seria acertado quando a privatização fosse concretizada. Hoje, no entanto, a companhia tem patrimônio líquido negativo, e o leilão prevê um valor mínimo simbólico de R$ 50 mil para que a companhia seja arrematada. Por isso, a área econômica do governo federal entende que não há que se falar em dívida da União com o Estado.

Apesar da divergência, Renan Filho disse que cabe à União definir o destino da companhia - desde que a dívida seja paga. "Queremos uma saída para que Alagoas receba o que tem a receber. Depois a União pode seguir caminho mais conveniente para ela", afirmou.

Reforma da Previdência

Eleitor declarado de Fernando Haddad (PT) nas últimas eleições, o governador reeleito de Alagoas, Renan Filho (MDB), evitou fazer avaliações sobre o futuro governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Ele afirmou que vai apoiar uma agenda reformista, mas aproveitou para alfinetar a equipe econômica que assumirá em 2019 ao dizer que "nem a nova equipe" sabe qual será a reforma da Previdência a ser levada adiante pelo presidente eleito.

"A gente não pode se posicionar sobre se vai apoiar ou não a reforma (da Previdência) sem saber ainda qual é. Ninguém sabe ainda qual é a reforma, nem a imprensa, e eu sinto que nem a nova equipe. Eles vão saber daqui a pouco", afirmou Renan Filho, que esteve com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, para debater a situação da distribuidora de energia do Estado, a Ceal.

Renan Filho afirmou que é prematuro fazer qualquer prognóstico sobre como será o governo Bolsonaro e sua relação com os Estados, uma vez que o presidente eleito ainda nem concluiu a formação de sua equipe. "O importante é que o Brasil precisa cumprir uma agenda reformista, que coloque o País na trajetória do crescimento econômico e da geração de emprego, porque é isso que o cidadão está precisando", afirmou.

"Vou discutir todas as reformas e vou apoiar as reformas que possam fazer o Brasil voltar a crescer", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.