Renault arrecada 1,5 bi com venda de negócio de caminhões

Montadora usará o dinheiro para reforçar o caixa e cumprir o compromisso de manter instalações na França

O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h11

A Renault vendeu ontem os 6,5% de participação que detinha na sueca Volvo por 1,48 bilhão (US$ 1,94 bilhão), deixando de vez o negócio de caminhões. A meta do negócio é aliviar o balanço da fabricante francesa e aumentar sua flexibilidade financeira em tempos de vendas fracas na Europa.

O negócio envolve um bloco de 138,6 milhões de ações que representam 6,5% do capital social da Volvo e 17,2% dos direitos a voto. A operação de saída da montadora francesa do negócio foi orquestrada pelo banco Goldman Sachs.

A Renault comprou a participação quando vendeu sua unidade de caminhões para a Volvo, em 2001. A montadora era dona das marcas Saviem e Berliet.

As vendas de automóveis da Renault na Europa despencaram 18% em outubro, em um momento em que o mercado local caminha para fechar 2012 com um dos piores resultados dos últimos 20 anos.

Apesar do cenário ruim, a companhia conseguiu baixar suas dívidas de 8 bilhões, em 2008, para cerca de 818 milhões, no fim do primeiro semestre. A Renault já havia vendido uma fatia de 14,9% no grupo sueco em 2010, arrecadando 3 bilhões.

Anteontem, quando anunciou o desejo de negociar a parcela na Volvo, a Renault divulgou que o dinheiro arrecadado com a venda irá fortalecer a estabilidade financeira do grupo. O montante também será usado para financiar investimentos industriais e estratégias, principalmente na Rússia e na China.

Investimento doméstico. Depois do anúncio, o ministro de indústria da França, Arnaud Montebourg, emitiu comunicado afirmando que 45% da arrecadação com a venda da participação na Volvo "serão usados para reforçar a presença industrial da Renault na França, em linha com o compromisso da empresa de investir 2 bilhões no país entre 2011 e 2013, ou 40% de seus investimentos globais, apesar do contexto de mercado difícil".

O governo francês detém 15% da Renault. O ministro disse também que esses investimentos fazem parte do compromisso da Renault de preservar todas as suas instalações industriais na França.

A empresa também dará foco ao desenvolvimento de carros inovadores e modelos movidos a eletricidade. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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