Renault-Nissan e Daimler mais perto de aliança

Renault-Nissan e Daimler mais perto de aliança

O grupo automobilístico franco-japonês e o alemão estão próximos de acertar uma troca de ações, de acordo com fontes

REUTERS, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2010 | 00h00

Uma aliança entre o grupo Renault-Nissan e a Daimler AG para cortar custos e repartir investimentos está mais próximo, disseram fontes, embora analistas continuem inseguros sobre os benefícios de uma parceria para as empresas.

Duas fontes próximas do assunto disseram que a Daimler, fabricante da Mercedes-Benz, estaria interessada em assumir uma fatia de 3% na Renault em abril em troca de ações.

Pessoas próximas à Renault afirmaram que o conselho da montadora vai se reunir no dia 6 de abril para discutir o assunto. A francesa compraria uma parcela pequena da Daimler, ainda que seu rating baixo represente uma certa dificuldade para que consiga obter financiamento para realizar o negócio.

Uma fonte da indústria disse que todas as opções têm sido discutidas, incluindo a compra de uma participação da Daimler pela Nissan. Todas as três companhias se recusaram a comentar o assunto.

Vantagem pequena. O gestor de recursos Hiroaki Osakabe, da Chibagin Asset Management, disse que vê poucos benefícios para a Nissan em um projeto com a Renault-Nissan. "A única coisa interessante que posso ver é que talvez ajude na compra de peças de carros, reduzindo os gastos com fornecedores, e talvez abra algumas rotas para a Europa. Mas, no geral, os ganhos, parecem menores para a Nissan", afirmou o executivo.

O presidente executivo da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, tem dito que está aberto a um terceiro parceiro na aliança franco-japonesa de 11 anos, e que um acordo acionário aumentaria o comprometimento dos sócios em projetos como a compra compartilhada de componentes de veículos.

Bolsa. As informações mexeram com o preço das ações das três empresas no mercado financeiro. As ações da Daimler decolaram; as da Renault subiram pouco menos de 1%, ante os ganhos ligeiros de seus pares europeus; e os papéis da Nissan fecharam com alta de 1,2%.

"Ele (o chefe da Renault e Nissan, Carlos Ghosn), não está vivendo junto, ele está casado. E talvez a Daimler esteja interessada em apenas um namoro", disse o analista da CLSA Asia-Pacific Markets Christopher Richter.

As montadoras Renault e Daimler não têm ocultado as discussões sobre cooperação para cortar custos e ganhar escala desde que a crise desafiou a indústria a se tornar mais eficiente. Ambas têm dito que têm conversado com um grande número de fabricantes.

Troca. A Daimler quer reduzir os custos de desenvolvimento e fabricação do seu novo modelo Smart de quatro lugares emprestando os fundamentos da fabricação do Renault Twingo, enquanto a montadora alemã poderia fornecer diesel e grandes motores a gasolina para a Renault e Nissan.

"Uma coisa interessante dessa aliança é que ninguém pisa no pé de ninguém", analisou Richter. Isso porque os compradores da Mercedes provavelmente não coincidem com os da Renault e Nissan, e vice-versa.

Acordos. A alemã Volkswagen e a japonesa Suzuki ganharam manchetes nos jornais mundiais em dezembro como as mais recentes empresas na indústria automobilística a fechar um acordo de troca de ações. Pequenas trocas como essa não eram comuns nesse segmento, mas começam a movimentar o mercado.

A Suzuki e a fabricante Subaru Fuji Heavy Industries trocaram uma pequena porcentagem de ações, enquanto a Toyota comprou 4% da Yamaha Motor.

Pouca sinergia. A indústria automobilística, no entanto, também está repleta de alianças que fracassaram ou estão rendendo pouca ou nenhuma sinergia - a própria Daimler é um exemplo de destaque - e muitos buscam agressivamente parcerias operacionais, mas sem envolver trocas de capital no patrimônio líquido.

A Mitsubishi, que recentemente reforçou a sua parceria com a Peugeot Citröen, encerrou meses de especulação financeira no início de março após decidir renunciar a compra de ações da montadora francesa.

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