Junko Kimura-Matsumoto/Bloomberg
Junko Kimura-Matsumoto/Bloomberg

Renault e Nissan iniciam reformulação de aliança

Após prisão e afastamento de Ghosn, empresas vão estabelecer uma diretoria operacional para substituir a anterior, considerada complicada; Volkswagen anuncia corte de empregos

Reuters

12 de março de 2019 | 11h34
Atualizado 12 de março de 2019 | 21h01

A japonesa Nissan e a francesa Renault disseram que vão reformular a maior aliança de carros do mundo para se colocarem em pé de igualdade, quebrando a poderosa presidência do ex-chefe Carlos Ghosn.

A saída de Ghosn, creditado por resgatar a Nissan de uma situação próxima à falência em 1999, causou muita incerteza sobre o futuro da aliança e algumas especulações de que a parceria poderia até mesmo ser desfeita.

As empresas, em conjunto com a Mitsubishi Motors, adicionada ao grupo mais recentemente, disseram nesta terça-feira que o presidente da Renault serviria como o chefe da aliança, mas em um sinal crítico do reequilíbrio de forças em curso atualmente não atuará como presidente da Nissan.

A Nissan disse que Ghosn concentrava muito poder, criando uma falta de supervisão e governança corporativa. Não ficou claro quem se tornaria presidente da Nissan, cargo vago desde que Ghosn foi preso no Japão, em novembro (o executivo foi solto na semana passada pela Justiça japonesa).

As montadoras não deram nenhuma indicação de qualquer mudança imediata em seu acordo de participação acionária cruzada, que deu à Renault maior influência sobre a Nissan. O chamado Acordo Mestre da Aliança Restaurada, que os uniu até agora, permanece intacto.

“Estamos promovendo um novo começo da aliança. Não tem nada a ver com as participações acionárias e as participações cruzadas que ainda estão lá e continuam em vigor”, disse o presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, em entrevista coletiva. “Nosso futuro está na eficiência dessa aliança”, disse ele, na sede da Nissan, em Yokohama, no Japão.

Senard também disse que não procuraria ser presidente da Nissan, mas sim um “candidato natural” para ser vice-presidente.

Volkswagen

A Volkswagen vai cortar empregos como estratégia para acelerar o lançamento de carros elétricos e reverter queda em margens de lucro. A montadora alemã informou que planeja lançar quase 70 novos modelos elétricos até 2028, com o objetivo de colocar-se na vanguarda da mudança do setor para carros de emissão de poluentes zero.

A montadora afirmou que os investimentos para reorganizar fábricas, bem como movimentos cambiais adversos e a desaceleração das vendas desencadeada por novos testes para certificação de níveis de emissões de poluentes, levaram a uma queda nas margens de lucro das marcas Volkswagen, Skoda, Audi e Porsche no ano passado.

O grupo disse que vai alinhar a remuneração de executivos e os bônus para ficarem mais perto dos níveis de lucratividade e reduzirá a complexidade da produção e o número de funcionários necessários. A empresa não informou quantas demissões pretende fazer no processo.

A margem de vendas da marca Volkswagen caiu para 3,8% no ano passado, de 4,2% em 2017.

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