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Renda aumenta busca por vaga em saúde e educação

Garantia de emprego e salários melhores provocam corrida na classe média por melhores serviços em escolas e hospitais

Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Não são só os serviços cotidianos que ficaram mais caros e lotados nos grandes centros. Com o avanço da economia, as pessoas enfrentam dificuldades para matricular os filhos na escola ou serem atendidas em hospitais privados.

Com emprego garantido e mais renda, os brasileiros migram dos serviços públicos de educação e saúde para redes privadas. O objetivo é conseguir um melhor atendimento, só que agora é o setor privado que não consegue dar conta da demanda e manter a qualidade.

Há cinco meses, Maria Augusta de Castro Campos, 43 anos, tenta marcar uma cirurgia para retirar um nódulo do útero através do convênio de saúde Greenline. Ela ainda não fez os exames pré-operatórios e relata esperas de mais de meia hora na central telefônica, agenda lotada dos médicos e guias de exame erradas.

A reportagem tentou entrar em contato por telefone e por e-mail com a Greenline na semana passada, mas não teve retorno. Maria Augusta vai tentar operar no Hospital das Clínicas (HC). "Decidi buscar no serviço público algo para o qual já pago no setor privado", disse.

De acordo com Henrique Salvador, presidente da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp), a concorrência é cada vez maior entre as operadoras de convênio, que fazem planos mais baratos para atrair a classe C. A estratégia provoca uma sobrecarga nos hospitais.

"O Brasil vive um ciclo de crescimento e uma das conquistas mais desejadas é um plano de saúde", diz Salvador. Em 2010, o número de usuários do sistema privado de saúde cresceu 9%, o dobro do crescimento médio anual desde 2000. Segundo a Anahp, hoje 24% dos brasileiros são atendidos na rede particular.

Educação. A migração de pessoas do setor público para o privado na saúde é a mesma na educação. Em 2003, 11% dos alunos matriculados nos ensinos fundamental e médio frequentavam escolas privadas. Esse porcentual está em 16% hoje e deve chegar a 20% em cinco anos.

"Hoje, as classes C e D começam a ter acesso às escolas privados. E quem já tem filhos na rede particular busca opções melhores", diz Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo (Sieesp). Para o professor, o problema de falta de vagas está concentrado nas escolas que atendem a classe B.

Ana Oliveira (nome fictício) enfrentou 15 horas de fila - com a ajuda de um rapaz, que foi pago para dormir no local - para matricular a filha de três anos no Colégio Santa Clara, na zona oeste de São Paulo, em agosto do ano passado. A escola tinha 15 vagas para a educação infantil naquela época e a menina conseguiu uma das últimas. "Valeu a pena. Se não tivesse feito isso, não teria conseguido", diz a mãe.

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