Renda comprometida com crediário cresce

Gasto com financiamento absorve 13,9% do total, mostra pesquisa da FIA

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

Aumentou o comprometimento da renda do consumidor com gastos de crediário neste início de ano. No primeiro trimestre, as despesas com financiamentos absorveram, em média, 12,9% da renda do paulistano. Entre abril e junho, a fatia do orçamento comprometida com pagamento de dívidas de crediário deve atingir 13,9% da renda, revela a Pesquisa Trimestral de Intenção de Compra no Varejo do Provar/FIA. A enquete consultou 500 paulistanos na segunda quinzena de março. A amostra foi estratificada de acordo com a composição de renda da população brasileira."Se houver um aumento nos juros básicos, como planeja o Banco Central, poderá ocorrer queda no ritmo de crescimento do consumo no terceiro trimestre", afirma o coordenador do Provar, Claudio Felisoni. Ele observa que o consumidor continua indo às compras por causa dos prazos longos do crediário. Mas, com a alta dos juros, a tendência é de redução do número de prestações, o que deve ter impacto negativo nas vendas.Apesar do maior endividamento e do recente aumento da inflação, a disposição do consumidor para gastar com compras de bens duráveis e semiduráveis cresceu neste trimestre. Entre abril e junho, 63,2% dos consumidores pretendem ir às compras, ante 54,8% em igual período do ano passado e 56,6% no primeiro trimestre deste ano. Os produtos que lideram o desejo de compras são equipamentos de cine e foto, com 11,8% das intenções, seguidos pelos itens de informática (11,2%), telefonia e celulares (9,6%). Durante seis trimestres consecutivos, os itens de informática e telefonia estão entre os mais desejados.Apesar do aumento da intenção de compra de bens duráveis e semiduráveis neste trimestre, o consumidor, em média, está hoje disposto a gastar quantias menores em relação a igual período de 2007, exceto no caso de veículos, por causa das facilidades de financiamento do carro zero. Patricia Vance, coordenadora da pesquisa, diz que essa tendência reflete o aumento da participação de camadas de menor renda no mercado de consumo.

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