Renda comprometida das famílias com dívidas atinge recorde em julho

Segundo dados divulgados pelo Banco Central, naquele mês, 22,42% dos ganhos mensais dos brasileiros eram destinados a pagamento de débitos 

Eduardo Cucolo e Celia Froufe, da Agência Estado,

26 de setembro de 2012 | 13h52

BRASÍLIA - O comprometimento de renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas bateu novo recorde em julho. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, naquele mês, 22,42% dos ganhos mensais dos brasileiros eram destinados a essas despesas. O recorde anterior era de junho, quando o porcentual estava em 22,40%.

Os números mostram que o aumento tem se dado na parcela destinada ao abatimento da dívida. Já o comprometimento com juros segue em queda. Segundo o BC, 7,93% dos ganhos foram usados para pagamento de juros em julho, abaixo do recorde de 8,14% verificado em março de 2012 e dos 8,02% de junho deste ano.

Outros 14,49% foram para amortização do principal das dívidas, porcentual recorde, acima dos 14,37% de junho. Os dados mostram ainda que a dívida total das famílias brasileiras correspondia, em julho, a 44,23% da sua renda acumulada nos últimos 12 meses, outro recorde, superando os 43,89% de junho.

O comprometimento da renda é apurado com base na relação entre os valores mensais a serem pagos no serviço das dívidas com o sistema financeiro e a renda das famílias, descontados os impostos, expressa na Massa Salarial Ampliada Disponível (MSAD). O endividamento total considera a massa ampliada em 12 meses. Os números dos meses anteriores são revistos mensalmente. 

Inadimplência

A inadimplências das pessoas físicas no cartão de crédito cresceu pelo segundo mês seguido, para 28,05% em agosto, segundo o Banco Central. No mês anterior, estava em 27,99%. O maior porcentual da série iniciada em junho de 2000 ainda são os 28,43% verificados em junho de 2009. A inadimplência se refere às operações vencidas há mais de 90 dias.

Nas operações com atraso de 15 e 90 dias, o porcentual caiu pelo quinto mês seguido. Estava em 11,73% em março, recuou para 10,93% em julho e caiu para 10,71% em agosto.

O estoque das dívidas no cartão ficou estável em agosto em relação a julho e apresenta crescimento de 5% no ano e 9,1% em 12 meses, para R$ 37,422 bilhões. Todos os porcentuais estão abaixo dos verificados na média do crédito livre total para pessoas físicas, o que significa que as dívidas no cartão perderam participação.

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