Renda continuará a sustentar sozinha crescimento econômico até 2014

Analistas ouvidos pela Agência Estado esperam um crescimento de cerca de 3% da renda real neste ano e algo como 2% em 2013

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

20 de março de 2012 | 16h27

A trajetória de expansão da renda real no Brasil deverá manter-se como o único anteparo da economia, compensando os impactos negativos da fraca atividade industrial, por pelo menos mais um ano e meio ou dois, segundo analistas ouvidos pela Agência Estado. Na média, eles esperam um crescimento de cerca de 3% da renda real neste ano e algo como 2% em 2013, o que levará a massa salarial a um crescimento de 5% e 4%, na mesma ordem. O setor industrial só voltará a dar uma contribuição mais efetiva ao crescimento econômico e ao nível de emprego entre 2013 e 2014.

A lógica é que com a renda real crescendo - aumento do mínimo e formalização do trabalho, entre outros fatores - o consumo se manteria robusto, fazendo com que o setor de serviços continue a absorver nos seus quadros o pessoal dispensado pela indústria, além da abertura de novas vagas, o que por seu turno manteria também em expansão a massa de salários. Ao mesmo tempo, a indústria escorrega na avalanche de importações e nos baixos níveis de produtividade.

Para se ter uma ideia, a indústria no ano passado cresceu meros 0,3%, gerando apenas 192,5 mil empregos. O setor de serviços, com uma participação de 69% do PIB, criou 1,2 milhão empregos e respondeu por 70% da geração total de empregos no País em 2011.A influência do setor industrial no PIB foi de 14,6%.

Na BB DTVM, o cenário básico delineado pelo economista-chefe Marcelo Gusmão Arnosti contempla uma retomada da atividade industrial já a partir do segundo trimestre deste ano, podendo já chegar a taxas mais fortes nos dois últimos trimestres, em torno de 1,5% (algo em torno de 6% em termos anualizados) em resposta a três vetores: cenário externo mais forte, demanda doméstica aquecida e incentivos do governo. Isso se somaria ao processo em curso dos ajustes de estoques - conforme mostra a Sondagem Industrial da Fundação Getúlio Vargas (FGV) -, entre outros fatores.

Mas em cenário hipotético - no qual a indústria não se recuperasse no horizonte de um ano e meio ou dois, mas países emergentes continuassem a crescer, demandando commodities, favorecendo os termos de trocas, fortalecendo a agricultura e a indústria de extrativa mineral, Arnosti entende que o mercado de trabalho se manteria forte e sustentável.

Na LCA Consultores, o economista Fábio Romão projeta crescimento de 3,2% da renda real neste ano e de 2,4% no ano que vem. A massa salarial crescerá em 5% em 2012 e deve mostrar expansão de 4,8% no ano seguinte. Em 2012, explica Romão, a renda crescerá menos porque o ganho real do salário mínimo também será menor, na esteira do crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 vindo de 7,5% em 2010, o que levou ao aumento de 14% do mínimo em 2012, em termos nominais em vigor desde janeiro. "O forte do crescimento da massa salarial neste ano será via renda. É por isso que a massa de renda cresce mais que a ocupação", avalia Romão. Para ele, em 2013 estas forças deverão se equilibrar, com a ocupação crescendo um pouco mais e a renda um pouco menos.

Para o economista do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) Cássio Zimmermann, o crescimento da massa de salários deverá manter-se em expansão porque a taxa de desemprego ao redor de 6% é algo que veio para ficar. "Achamos que esse é um caminho sem volta" diz o economista do banco gaúcho. Além disso, de acordo com ele, o Brasil tem um longo caminho a percorrer na direção da formalização do mercado de trabalho. O trabalhador que sai da informalidade, que além de salários regulares passa a contar com benefícios que agregam à sua renda, só vem para o mercado formal se as empresas lhes oferecerem algo a mais do que eles ganham na informalidade.

Por isso, no Banrisul a previsão é a de que a renda real dos trabalhadores no médio prazo, ou seja no horizonte de um ano e meio ou dois, cresça em média 2% ao ano. Este é, segundo o economista do Banrisul, o prazo que o banco espera que a crise internacional chegue ao fim e que se comece a retomada do crescimento econômico mundial e com a indústria já se vendo em um patamar mais elevado de produção.

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