Renda cresce após cinco meses de queda

Rendimento médio do trabalhador subiu 1,7% em agosto, para R$ 1.883, ajudado pela desaceleração da inflação no mês

IDIANA TOMAZELLI / RIO , RICARDO LEOPOLDO / SÃO PAULO , O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2013 | 02h05

A desaceleração da inflação em agosto foi o que abriu espaço para o crescimento da renda média habitual dos trabalhadores. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o porcentual avançou 1,7% em relação a julho, para R$ 1.883. O resultado interrompeu o ciclo de quedas iniciado em março deste ano.

"Há um ganho no poder de compra da população", avaliou o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), Cimar Azeredo, ponderando que o crescimento teria sido ainda maior se a desaceleração tivesse ocorrido de forma mais intensa.

"Em agosto, o IPCA atingiu 6,1% no acumulado em 12 meses, e o rendimento médio real manteve um patamar positivo", comentou o economista Fábio Romão, da LCA Consultores. Em junho, quando o IPCA atingiu o pico de 6,7% em 12 meses (acima do teto de 6,5% para a meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional, o CMN), o avanço foi de 0,8% ante igual mês do ano anterior, ressaltou o economista.

A massa de renda real habitual também apresentou avanço em relação a agosto de 2012, de 2,7%. Os ocupados do País somaram renda de R$ 44,2 bilhões no mês passado. Em julho, o dado havia se mantido no mesmo patamar ante igual mês de 2012.

Para os próximos meses, o economista Rafael Bacciotti, da consultoria Tendências, estima uma desaceleração da renda média real do trabalhador. Segundo ele, o indicador subiu 4,1% em 2012, mas deve reduzir o ritmo de alta para 1,6% em 2013. No ano que vem, a evolução pode ser ainda menor, de 1,4%. "A demanda tem uma tendência nos próximos trimestres de ser menos vigorosa também por causa da inflação alta."

Domésticas. Na comparação com julho, o único setor a apresentar queda no rendimento médio real foi o de serviços domésticos. A retração foi de 3% ante julho, para R$ 860,50, apesar de ainda acumular alta de 4,8% em 12 meses. O dado chama a atenção porque, desde 2003, foi o rendimento que mais cresceu (20%), segundo Azeredo.

"Pode ser um movimento isolado no mês, uma variação da mostra. Mas, com a notícia da PEC das Domésticas, estamos isolando esse rendimento para entendê-lo", observou. Na comparação com agosto de 2012, a renda média real no comércio foi a única variação negativa, com queda de 2%, para R$ 1.481,20.

A evolução da renda média nominal (sem ajuste pela inflação), na média de janeiro a agosto de 2013, foi de 7,6% em relação a igual período do ano passado, segundo o IBGE. Na comparação de 2012 ante 2011, esse indicador variou 9,5% para os mesmos oito meses.

Em relatório a clientes, o sócio-diretor da Schwartsman & Associados, Alexandre Schwartsman, observou que a desaceleração é resultado da evolução mais tímida da renda no segundo trimestre deste ano. "Mas (a renda média nominal) se mantém seguramente acima de qualquer estimativa de crescimento na produtividade, implicando uma alta persistente no custo da mão de obra unitária." Esse fator contribui para a alta na inflação de serviços, que já tem se acelerado nos últimos meses, acrescentou.

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