Renda do trabalhador cai pela 1ª vez desde abril

Rendimento, porém, ainda está acima do verificado em setembro de 2010; a taxa de desemprego ficou em 6% pelo terceiro mês consecutivo, diz IBGE

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h06

O mercado de trabalho permaneceu estagnado em setembro, o que foi encarado pelo mercado como mais um sinal do desaquecimento da economia brasileira. A taxa de desemprego ficou em 6% pelo terceiro mês consecutivo. No entanto, o resultado ainda foi o melhor para setembro desde o início da Pesquisa Mensal do Emprego, em 2002, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nessa época do ano, há tradicionalmente geração de vagas, puxada pelo aumento do consumo no último trimestre.

Entretanto, a indústria e o comércio dispensaram juntos 109 mil trabalhadores na passagem de agosto para setembro. Embora não seja relevante estatisticamente, o resultado acabou por afetar o rendimento médio real dos ocupados, que caiu 1,8% no período, passando de R$ 1.637,26 para R$ 1.607,60.

A massa de salários também diminuiu, 1,9%. "O recuo de vagas na indústria explica a queda no rendimento; e a queda no rendimento explica a queda no emprego comercial", justificou Cimar Azeredo, gerente da pesquisa. A redução da renda média dos trabalhadores foi a primeira desde abril, mas ainda está acima do patamar verificado em setembro do ano passado, quando ficou em R$ 1.607,34.

No entanto, o indicador é considerado volátil, podendo variar bastante, por exemplo, em períodos de muitas contratações. Portanto, não costuma ser usado para medir tendências.

Na avaliação de analistas, é impossível prever se o emprego terá um fim de ano pior do que em 2010. "A taxa (de desemprego) desse ano continua menor que a do ano passado. O que vai acontecer em outubro é impossível saber. Se esse mesmo número (6%) se transformar em uma tendência, aí sim há uma situação em que deve-se preparar para um Natal um pouco pior, mas tem de esperar para ver", analisou José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Investimentos.

O emprego na indústria recuou 1,1% na passagem de agosto para setembro, com 43 mil postos a menos. No comércio, a queda foi de 1,6%, com a subtração de 66 mil vagas.

O número de ocupados no País recuou de 22,623 milhões em agosto para 22,282 milhões em setembro, mas o número de desocupados também teve ligeira queda, de 1,480 milhões para 1,440 milhões no período. "O mercado de trabalho não está mostrando processo de expansão, mas também não se deteriora. Isso pode estar relacionado com o cenário econômico atual, que não está favorável, não está estimulando os investidores a gerar vagas", disse o gerente do IBGE.

O estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno, afirma que ainda é prematuro julgar se há uma tendência de inversão de geração de postos no mercado de trabalho. "Com certeza, os números revelam moderação, mas ainda não dá para deduzir que esteja em curso um processo mais consistente de desaquecimento do mercado de trabalho. Essas oscilações são naturais", declarou Rostagno.

A Tendências Consultoria Integrada vê no resultado do emprego um reflexo do arrefecimento da atividade econômica. "Porém, ainda que menos dinâmica, a taxa de desemprego continua em seu nível mínimo histórico, indicando que o mercado de trabalho continua apertado", notaram os analistas Alessandra Ribeiro e Bruno Brito./ COLABOROU DENISE ABARCA

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