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Renda fixa ajuda no equilíbrio das carteiras dos investidores
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Renda fixa ajuda no equilíbrio das carteiras dos investidores

Redução contínua da taxa Selic tirou o atrativo da rentabilidade fácil, mas ofereceu potencial de diversificação

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

20 de junho de 2021 | 07h00

A renda fixa não acabou no Brasil. A afirmação parece óbvia, mas muitos economistas e analistas de investimentos precisaram responder a essa pergunta várias vezes desde o ano passado, quando a taxa de juros Selic atingiu sua mínima histórica (2% ao ano), o que afetou com força os rendimentos de títulos considerados como garantia de retornos acima da inflação. Para esses especialistas, a contínua redução dos juros trouxe de volta o que sempre deveriam ter sido as principais características dessa classe de ativos: a formação de uma reserva de emergência para o investidor e a oportunidade de diversificar sua carteira.

O mercado de renda fixa é formado por ativos que têm sua remuneração estabelecida no momento da aplicação. Ou seja, o investidor sabe desde o início qual será o rendimento da operação, pelo valor nominal ou pelo indexador determinado. Natural, portanto, que uma carteira mais equilibrada apresente alguns ativos dessa classe. “Como regra geral, sempre ajuda ter um componente de renda fixa, mesmo com taxa de juros baixa”, analisa Fabio Zenaro, diretor de Balcão, Commodities e Novos Negócios da B3.

O que mudou nos últimos tempos foi que o critério de opção pela renda fixa deixou de ser o do alto rendimento garantido por um ativo de risco mais baixo. A gestão errática das contas públicas trazia sempre o risco de descontrole inflacionário, obrigando o Banco Central a manter a taxa Selic em patamares elevados. Como a taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), referência para a rentabilidade da renda fixa, tem forte correlação com a Selic, quando a taxa básica estava em dois dígitos, entre 2015 e 2016, o retorno desses títulos tinha um apelo até maior que o da renda variável.

Isso foi alterado nos últimos anos. Com a redução da Selic (de 14,25% anuais em setembro de 2016 para os 3,50% atuais), o CDI acabou recuando de 13,99% em 2016 para 2,75% no fim do ano passado, num evidente choque de rentabilidade. Daí surgiram os comentários prematuros de que a renda fixa estaria com dias contados. Para Daniel Pegorini, CEO da Valora Gestão de Investimentos, é um erro considerar um ciclo como uma situação permanente e decretar a morte de qualquer classe de ativos. “Sempre que tem uma taxa de juro real muito baixa, vai ter fluxo para a renda variável. O mesmo ocorre no sentido contrário, quando a taxa fica positiva. Como temos hoje uma projeção positiva, o mercado está fluindo para renda fixa”, explica.

Para Camila Dolle, analista de renda fixa da XP Investimentos, a mudança na verdade abriu uma janela de oportunidade para se discutir a importância da diversificação das carteiras. “Quem estava acostumado a juros altíssimos acreditava que a renda fixa se resumia a aplicações mais conservadoras, como CDBs. Mas viu que existiam outros títulos mais longos com taxas menores”, afirma. Entre os ativos no quais os investidores mostraram interesse, Camila cita certificados de bancos menores, com taxas diferentes, e ativos de crédito privado, como debêntures, CRIs e CRAs, todos com um pouco mais de risco, mas com retornos interessantes. “Teve de mudar a chavinha”, afirma a analista da XP.

Segundo Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos, o ideal para o investidor na hora de escolher em qual ativo depositar suas economias é ponderar entre prazo, risco de crédito e rentabilidade do investimento. “O mais conservador pode optar por um título pós-fixado sem liquidez, como os indexados ao IPCA, e de longo prazo. E conforme sobe o risco, vai introduzindo ativos mais high yield”, sugere, sempre frisando que isso depende do conhecimento que a pessoa tem do mercado.

Essa diversificação dentro da categoria da renda fixa também é destacada por Zenaro, da B3. “Não é uma coisa única. Tem as características em relação ao emissor, como governo, bancos e emissores privados. E outra transversal é o indexador, que pode ser prefixado, pós-fixado, CDI ou inflação”, lista. Ele pondera que é preciso observar os riscos de cada ativo.

Bernardo Pascowitch, CEO e fundador do buscador de investimentos Yubb, concorda que a renda fixa sempre vai ser interessante, principalmente para fins de reserva de emergência e para investimentos de curto prazo. “Se você tem um gasto planejado para daqui a um mês, três meses ou um ano, por exemplo, não pode se dar ao luxo de colocar esse dinheiro em ativos de alta volatilidade e imprevisibilidade, porque aí você corre o risco de não ter o dinheiro para aquele gasto.” Para ele, o papel da renda fixa não é o de valorizar o patrimônio a níveis expressivos, mas o de proteger o patrimônio de forma primordial.

Riscos também devem ser considerados

Ainda que ativos de renda fixa sejam reconhecidos como importantes para a formação de uma reserva de emergência devido à proteção oferecida contra as oscilações da inflação, os especialistas do mercado alertam aos investidores que esses produtos financeiros oferecem riscos, como qualquer modalidade de investimento. Fabio Zenaro, diretor de Balcão, Commodities e Novos Negócios da B3, identifica três como os principais riscos a sere considerados.

O primeiro é o chamado risco do emissor, que é a possibilidade de default do responsável pela emissão do título: o governo, um banco ou uma empresa. Essa ponta da operação é a responsável pelo pagamento tanto do principal como dos juros combinados.

Papéis de bancos, como CDBs, letras de crédito imobiliário e agrícola (LCI e LCA), e letras de câmbio têm a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, que protege aplicações de até R$ 250 mil. Títulos públicos federais não estão cobertos pelo FGC, mas são considerados seguros porque têm o governo como garantidor. Os títulos privados, como debêntures, por sua vez, trazem o risco das empresas, facilmente identificáveis pelos aplicadores.

“O segundo risco é o de liquidez. A possibilidade de sair do papel no meio de seu prazo, antes do vencimento. Títulos mais simples, como o CDB, por exemplo, têm mais liquidez e podem ser negociados em plataformas online”, destaca Zenaro. O diretor da B3 lembra que atualmente até mesmo no caso de debêntures existe uma liquidez razoável, dependendo do caso.

O terceiro risco é o de mercado. A ideia de que uma aplicação em renda fixa sempre ganha é exagerada, segundo Zenaro. “Depende do indexador”, alerta o diretor da B3. O CDI, que remunera a maioria dos títulos, acompanha a curva da taxa de juros. Um título prefixado, por exemplo, pagava 3% no início deste ano, mas na recompra hoje vai pagar mais devido à marcação a mercado.

O diretor da B3 também alerta que o investidor deve se informar a respeito da tributação porque existem títulos isentos de IR e outros com alíquotas regressivas, de acordo com o tempo da aplicação.

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