Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Renda fixa corresponde a 89% das emissões no mercado de capitais em 2018

Do total de R$ 223,7 bilhões em emissões no ano, R$ 199,6 bilhões foram nessa modalidade

Beth Moreira, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2019 | 13h05

As ofertas de renda fixa responderam por 89% das emissões no mercado de capitais em 2018, informou nesta terça-feira, 8, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Do total de R$ 223,7 bilhões em emissões no ano, R$ 199,6 bilhões foram nessa modalidade. As demais captações do período, em renda variável e em fundos imobiliários, representaram 5% e 6% do montante, respectivamente.

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, em seu primeiro discurso à frente do cargo, citou a necessidade de correção de desequilíbrios no mercado. "Vamos vender ativos, desacelerar a dívida, talvez controlemos nominalmente essas despesas. Deixa de ser a asfixia de recursos para saúde, educação, cidadania, e o Brasil deixará de ser paraíso do rentista e inferno para empreendedores", afirmou.

Segundo a Anbima, o destaque na renda fixa foram as debêntures. Mais de 300 operações com esses títulos somaram R$ 140 bilhões no ano – recorde para a série histórica da Anbima, iniciada em 2002. Entre esses papéis, os de infraestrutura também apresentaram o maior volume desde o lançamento em 2011: R$ 23,6 bilhões, a partir de 62 emissões. Em relação a 2017, o avanço das debêntures de infraestrutura foi de 160%.

"Vale salientar a crescente participação dos investidores institucionais nas ofertas de debêntures. O movimento começou em 2017 e se manteve no ano passado, ainda que com menor força. Isso indica que esses agentes, em sua maioria os fundos de investimento, continuam interessados em alocar recursos nos títulos corporativos", afirma em nota o vice-presidente da Anbima, José Eduardo Laloni.

Considerando os demais produtos de renda fixa, as notas promissórias e as letras financeiras também cresceram em 2018 na comparação ao ano anterior: registraram R$ 28,2 bilhões e R$ 6 bilhões, altas de 4,9% e 98,5% sobre 2017. Já os Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDCs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRAs) movimentaram no ano R$ 12,7 bilhões, R$ 7,2 bilhões e R$ 5,8 bilhões, respectivamente.

Variável 

Na renda variável, foram R$ 11,3 bilhões emitidos em 2018 a partir de três IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês) e três follow ons (ofertas subsequentes de ações). O resultado ficou abaixo do registrado em 2017 (R$ 40,1 bilhões), mas superou o desempenho de 2016 (R$ 10,7 bilhões).

Já os fundos imobiliários (produtos considerados híbridos entre renda fixa e variável) movimentaram R$ 12,8 bilhões em 80 operações.

A Anbima informa ainda que no mercado internacional, as empresas brasileiras captaram US$ 15,3 bilhões em 2018, a partir de ativos de renda fixa, exclusivamente. Do total, 84% das operações foram realizadas no primeiro semestre do ano. Em relação a 2017, houve queda de mais de 50%.

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