Renda média do trabalhador caiu 2,5% em 2002

A renda média real dos trabalhadores brasileiros apresentou no ano passado a sexta queda anual consecutiva, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad), divulgada hoje pelo IBGE. A remuneração média real caiu 2,5% em 2002 em relação ao ano anterior. De 1996, quando iniciou a trajetória de queda, até o ano passado, houve redução acumulada de 12,3% no rendimento. Segundo a pesquisa, em 2002, na distribuição das pessoas ocupadas por faixas de rendimento mensal de trabalho, verificou-se que 27,1% ganhavam até um salário mínimo e 1,3% recebiam mais de 20 salários mínimos. No caso do rendimento mensal domiciliar, que agrega os rendimentos de todas as fontes dos moradores, a proporção de domicílios com rendimento de até um salário mínimo ficou em 12,0% e a dos que estavam na faixa de mais de 20 salários mínimos, em 4,7%. A pesquisa mostrou também que o Nordeste continuou detendo remunerações médias acentuadamente inferiores às das demais regiões. Os pesquisadores do IBGE estiveram em 129.705 domicílios, onde vivem 385.431 pessoas. A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 28 de setembro de 2002. Cai defasagem homem/mulherA defasagem entre os rendimentos dos homens e das mulheres continuou diminuindo em 2002, mas a remuneração média de trabalho das mulheres ainda ficou em patamar muito inferior ao dos trabalhadores masculinos, segundo revelou a pesquisa. Em 1992, o rendimento médio das mulheres representava 61,6% do recebido pelos homens e, em 2002, alcançou 70,2%. A diferença entre as remunerações dos homens e das mulheres permaneceu maior na categoria dos trabalhadores por conta própria.SindicatosOs setores de educação e saúde apresentam um porcentual de sindicalizados muito superior ao registrado na indústria e no comércio, segundo divulgou o IBGE. Segundo a pesquisa, o porcentual de sindicalizados foi maior no grupamento da educação, saúde e serviços sociais (28,6%), vindo em seguida a da administração pública (26,1%). A indústria chega bem atrás, com 20,3% e o comércio, com 10,3%.No outro extremo, a proporção de pessoas sindicalizadas ficou em apenas 1,3% no grupamento dos serviços domésticos e em 6,7% no da construção. A participação das pessoas sindicalizadas na população ocupada permaneceu estável de 2001 (16,7%) para 2002 (16,8%), de acordo com o IBGE.Bens duráveisA Pnad também concluiu que "o racionamento de energia que vigorou no País em parte do ano de 2001 determinou mudanças nas decisões das famílias em relação à compra e manutenção de determinados bens". Desse modo, o número de domicílios com freezer permaneceu praticamente estagnado de 2001 para 2002, com aumento de apenas 0,7%. "A necessidade de economizar energia conduziu a forte desaceleração no crescimento dos domicílios dotados de freezer, uma vez que este não é um bem tão essencial quanto a geladeira", conclui a pesquisa. Por outro lado, o número de habitações com geladeira continuou mantendo crescimento acentuado (4,1% de 2001 para 2002). O porcentual de moradias com freezer, que estava em 12,3% em 1992, alcançou 19,7% em 1998, estabilizou-se em 1999 e declinou para 18,5% em 2002, enquanto o de habitações com geladeira subiu continuamente, passando de 71,5% em 1992 para 86,7% no ano passado. Ainda no que diz respeito aos bens duráveis, a pesquisa revelou que o porcentual de moradias com máquina de subiu de 24,1% em 1992 para 34,0% em 2002. Leia Mais sobre os resultados da PnadPaís tem 1 milhão de crianças que trabalham e não estudam31,9% das residências ainda não tinham esgoto em 2002Casas conectadas à web aumentaram 23,5% de 2001 para 2002

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