Renda por habitante no Brasil está entre as piores da AL

A renda per capita da Argentina, que era superior à brasileira em 55,95% em 2004, deve ampliar essa diferença para 80,8% em 2008

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

12 de setembro de 2007 | 17h19

A renda por habitante no Brasil está cada vez mais para trás em relação às de outros países da América Latina, apesar de a economia brasileira ser a maior da região. Argentina, Uruguai, Chile e México estão tendo aumento da renda per capita em velocidade superior à brasileira, de acordo com o banco de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). O cálculo é feito pela metodologia de paridade de poder de compra (PPP, na sigla em inglês), para permitir comparações entre países. A renda per capita da Argentina, que era superior à brasileira em 55,95% em 2004, deve ampliar essa diferença para 80,8% em 2008, de acordo com as projeções do Fundo, chegando a US$ 18.018,14 enquanto a brasileira é prevista em US$ 9.966,15.De acordo com a economista Lia Valls Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com uma população tão grande, o Brasil precisaria ter um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) bem maior que o dos últimos anos para acompanhar o crescimento da renda per capita dos vizinhos, mas não é o que está acontecendo.A diferença de renda per capita entre Brasil e Uruguai também tem se ampliado, mas em ritmo menor em relação a da Argentina. Em 2004, a renda uruguaia por habitante era de US$ 9.276,26, superior em 11,31% à brasileira. Essa diferença subiu para 24,97% em 2005 e, pelas projeções do FMI, atingirá 30,29% em 2008. Argentina e Uruguai, devido à crise no início da década passaram cinco anos, de 1999 a 2003, com renda per capita abaixo da de 1998. Mas em 2004 superaram o nível de 1998 e estão tendo crescimento superior ao brasileiro. Em 1998, a renda per capita do Brasil era de US$ 7.002,15 e a do México de US$ 8.108. Dez anos depois, pelas projeções do FMI, serão respectivamente de US$ 9.966,16 e US$ 12.292,07. A diferença entre a renda per capita do México e a do Brasil aumentou continuadamente e levemente de 2003 a 2005. Segundo as estimativas do FMI, a diferença prosseguiu crescendo em 2006 para 23,5%, mas deve estabilizar e até se reduzir levemente para 23,39% este ano e 23,34% no ano que vem.Por outro lado, a distribuição de renda no Brasil é tão desigual que, combinada ao grande tamanho da população, permite que o País tenha um mercado de consumo de produtos de luxo superior ao do Chile, por exemplo, comenta Lia. "Aqui no Brasil a gente olha muito o PIB total, mas a renda per capita é muito importante", disse Aloísio Campelo, da FGV.

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