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Renda subiu para 18 milhões de pessoas de 2004 a 2008

A população brasileira começou a ascender para faixas de renda per capita mais altas a partir de 2004, em um movimento que não se observava desde a década de 1980. Segundo informou hoje o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 7 milhões de pessoas ingressaram na faixa de renda média, que considera uma renda mensal per capita de R$ 188 a R$ 465, entre 2004 e 2008. Outros 11,6 milhões de indivíduos chegaram ao estrato superior de renda (renda per capita maior que R$ 465 por mês) no mesmo período. Considerando o ingresso nas faixas média e superior, o aumento de renda per capita atingiu 18,6 milhões de pessoas.

LUCINDA PINTO, Agencia Estado

05 de novembro de 2009 | 17h10

Em contrapartida, a faixa de renda baixa, inferior a R$ 188 por indivíduo, perdeu 11,7 milhões de pessoas. No período, o aumento da população brasileira foi de 6,9 milhões de pessoas. "Há sinais da volta da mobilidade social no País, o que não se via até a década de 90", afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.

O estudo do Ipea, que usa como base a Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) de 2008, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, com as mudanças, a participação relativa das camadas de renda evoluiu. Em 2008, a faixa mais baixa de renda representava 26% da população, uma fatia menor que a observada em 2005, de 32%. Já a faixa de renda média respondia por 37,4% em 2008, ante 34,9% em 2004. O grupo de renda superior cresceu de 31,5% em 2004 para 36,6% no ano passado.

O Ipea destacou que o grupo com maior renda per capita vinha registrando declínio em sua participação relativa entre os anos de 1998 e 2004, oscilando de 35,3% para 31,5%.

As faixas de renda estabelecidas pelo estudo, embora baixas, refletem a média de renda da população. Pochmann explicou que, para fazer o estudo, o Ipea dividiu a população brasileira em 2001 em três grupos iguais e calculou a média de renda per capita em cada um desses grupos. Para atualizar os valores, o Ipea utilizou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Natalidade

De acordo com o Ipea, os avanços de renda per capita podem ser explicados em parte pela redução da taxa de natalidade média das famílias. Com menos filhos, a renda naturalmente cresce. Em 1992, segundo Pochmann, a taxa de natalidade média no Brasil era de 2,8 filhos. Em 2008, ela caiu para 1,8 filhos. Se forem consideradas apenas as mulheres brancas com maior grau de escolaridade, a natalidade é ainda menor, de 0,9 filho.

Pochmann destacou ainda outras explicações para a melhora da renda. O crescimento econômico e o dinamismo do mercado de trabalho justificam, segundo ele, a mobilidade social. Isso fica claro quando se observa o perfil dos indivíduos que tiveram alguma ascensão de renda. Entre 2001 e 2008, 19,5 milhões de brasileiros (11,7% da população) registraram elevação real em seu rendimento individual superior à evolução da renda per capita nacional, que foi de 19,8% no período.

Nesse grupo, os que têm carteira assinada foram os que mais evoluíram, o que confirma a tese de que o emprego contribuiu para a melhora da renda. Segundo o Ipea, dos 13,5 milhões de indivíduos que migraram do estrato inferior para o médio, 55,5% são ocupados (incluindo empregos formais, informais e por conta própria). Já no grupo de 6 milhões de pessoas que evoluíram para a faixa superior, 69,7% estão na categoria de ocupados.

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