Renda variável deve reconquistar investidor

Depois de um primeiro semestre bastante indefinido, pautado basicamente pelo comportamento volátil do mercado externo, o segmento de renda variável deve reconquistar a simpatia dos investidores brasileiros neste segundo semestre, segundo especialistas consultados pela Agência Estado. É um efeito direto da queda de rentabilidade da renda fixa - juros em queda e inflação um pouco mais elevada neste período - e da baixa volatilidade no câmbio.Para alguns analistas, esse movimento positivo da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve ganhar mais força logo após a definição das ações de Petrobras que estão sendo vendidas pelo governo. Há quem aposte em ganhos de até 30%, que levariam o Ibovespa a superar a barreira dos 20 mil pontos estimados no começo do ano, antes das correções no mercado americano que jogaram o comportamento das bolsas na incerteza. Segundo diretor de Tesouraria do Banco Fator, Sérgio Machado existe um bom humor generalizado com relação à Bolsa. Os prêmios da renda fixa tendem a cair, favorecendo a migração para a Bolsa. Ele acredita que no médio prazo uma parcela expressiva dos fundos de investimento deva aumentar a fatia da renda variável nos seus investimentos.A tendência é confimada pelo presidente da Abrapp, entidade que reúne os fundos de pensão, Carlos Duarte Caldas. Mas o economista Roberto Teixeira da Costa, do Banco Sul América, alerta para o fato de haver setores que terão um comportamento mais positivo do que outros. As análises, assim, terão de ficar especialmente atentas a este fato.Mercado dividido com relação ao fluxo de capital estrangeiroApesar do otimismo, o mercado ainda se divide quanto o assunto é fluxo de capital estrangeiro. Analistas e economistas são unânimes em reconhecer que os investidores externos continuam fora do mercado local, preferindo negociar American Depositary Receipt (ADRs) - certificados de empresas brasileiras negociados na mercado de Nova Iorque. Mesmo assim, há ainda resistência em relação aos títulos de países emergentes. "Não tem ocorrido migração de liquidez expressiva para os ADRs", comenta o chefe de análise do Banco Santander, Alexandre Gärtner. Ele concorda com outros analistas sobre os estrangeiros ainda estarem rescaldados com a volatilidade de seu próprio mercado no primeiro semestre.

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