Nilton Fukuda/Estadão
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Renda variável nem sempre é opção para todos

No ano passado, com as incertezas trazidas pelo período eleitoral, as taxas de juros no futuro subiram bastante e, assim, o valor dos títulos caiu

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2019 | 05h00

• Tenho títulos do Tesouro Direto com vencimento a partir de 2024. Alguns amigos estão dizendo para eu vender porque estamos em um bom momento para fazer lucro. Isso é correto?

Sim. Como os juros futuros caíram bastante após a eleição, os preços dos títulos subiram e quem quiser realizar ganhos pode conseguir agora. Porém, antes de vender você deve pensar qual o seu objetivo com esse investimento e onde irá reinvestir.

Se o seu objetivo inicial era aplicar e vender o papel ao obter ganhos, o momento é oportuno para isso.

Por outro lado, se você tem outro objetivo preestabelecido com esse investimento, não há motivo para vender. Essa flutuação de preços ao longo da vida do título é normal e, caso você o mantenha até o vencimento do papel, a rentabilidade será aquela combinada na data da compra. Vender agora pode resultar na reaplicação a taxas menores e com pagamento de imposto de renda. Você pode ganhar na venda, mas esse dinheiro precisa ser reaplicado a taxa menor.

É preciso entender melhor o que aconteceu recentemente com os títulos de renda fixa: no ano passado, com as incertezas trazidas pelo período eleitoral, as taxas de juros no futuro subiram bastante e, assim, o valor dos títulos caiu. Em 2018, conforme as incertezas foram aumentando, a rentabilidade acumulada dos títulos foi caindo. Muitas pessoas que acompanham os extratos mensais de fundos renda fixa notaram que o valor das cotas despencou ao longo do ano, mas recuperaram valor a partir de outubro.  

 

• Meu marido e eu queremos vender nossa casa, avaliada em R$ 350.000,00 e morar de aluguel. Queríamos uma renda fixa e com o rendimento poderíamos pagar o aluguel de um imóvel semelhante, aplicando o que sobrar. Estamos pensando em investir em ações, de umas oito empresas diversas e boas pagadoras de dividendos, sem a pretensão de vender, formando uma carteira previdenciária. Teremos outras aplicações, mas essa seria destinada a manter a nossa moradia. Acha o nosso plano prudente?

Dada a sua preocupação em não perder o imóvel, eu não recomendaria a venda e o investimento do valor em renda variável. Investir em ações é um bom investimento, mas não é para todas as pessoas e para todos os objetivos de vida. A renda variável tem alto grau de risco e exige conhecimento financeiro mais sofisticado para a composição da carteira.

O conceito básico de investir em empresas de diversos setores é correto por gerar diversificação e a consequente mitigação de risco, mantendo o retorno médio ponderado, mas isso somente não basta para garantir a gestão eficiente desses recursos.

Também é correto o pensamento de alocar recursos em ações pagadoras de dividendos, mas isso, por si, não garante o retorno desejado. Além disso, não está claro também o objetivo que vocês têm em mente para esse investimento e isso é o primeiro item de um bom planejamento financeiro.

Mas, independentemente da organização de uma estratégia, o fato é que vocês são avessos ao risco e não querem perder o valor do imóvel. Assim, o ideal seria repensar a vida financeira, estabelecendo os objetivos de maneira mais clara e buscando criar um orçamento que permita a conquista desses objetivos, mas mantendo o grau de bem-estar da família.

Importante: não vale a pena ficar sem dormir por assumir riscos mais elevados na tentativa de ganhos maiores no mercado.

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