Rendimento diário negativo em fundo prefixado

A forte instabilidade que atingiu o mercado financeiro na sexta-feira fez com que muitos fundos de renda fixa prefixados apresentassem queda no valor das cotas, provocando uma rentabilidade diária negativa na segunda-feira, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).Isso acontece porque os títulos que compõem a carteira do fundo são cotados diariamente. Os juros no mercado futuro subiram significativamente no final da semana passada em função das incertezas dos investidores em relação à Argentina e à extensão da crise política no Brasil (veja link abaixo). Consequentemente, o valor desses papéis foi reduzido, pois foram comprados a uma taxa mais baixa do que a praticada agora. Veja mais informações sobre o impacto negativo da alta de juros nos fundos prefixados no link abaixo. Nos contratos com vencimento em 30 dias, a taxa negociada na sexta-feira ficou em 20,02% ao ano, ou seja, praticamente quatro pontos porcentuais acima da taxa básica de juros (Selic), que está em 16,25% ao ano, e três pontos porcentuais acima da taxa negociada na quinta-feira - de 17,22% ao ano. Um dos fundos de renda fixa prefixado com rentabilidade negativa apurada na segunda-feira foi o BNP Paribas Pré - queda de 0,69%. De acordo com Marcelo Saddi Castro, a carteira desse fundo é formada apenas por títulos prefixados com duration - prazo médio de duração dos papéis - de seis meses. O objetivo do fundo, segundo Castro, é acompanhar o desempenho do Índice de Renda Fixa de Mercado (IRFM) (veja mais informações sobre o IRFM no link abaixo).No banco BBV, o fundo de renda fixa - BBV Maxi RF - também registrou queda na rentabilidade no resultado de segunda-feira, com variação negativa de 0,14%. A carteira do fundo está composta por 40% em papéis prefixados e 60% em pós-fixados. A duração média dos papéis de toda a carteira é de 28 dias, levando-se em conta os papéis pré e pós-fixados. Marcos Rabinovich, superintendente da área de gestão de recursos, lembra que a variação negativa nas cotas de segunda-feira só é configurada como prejuízo para o investidor se ele fizesse um saque naquele dia. Caso contrário, ou seja, com a manutenção dos recursos em carteira, uma possível recuperação do mercado, com nova queda dos juros, pode compensar a perda.Prefixados: analistas recomendam manter aplicaçãoApesar da variação negativa apresentada por alguns fundos de renda fixa prefixados na cota de segunda-feira, analistas recomendam manter a aplicação. Isso porque essa elevação dos juros no mercado futuro já foi incorporada ao preço dos papéis que compõem a carteira. Para Wagner Murgel, diretor da JP Morgan Asset Management, grande parte do risco de um cenário extremamente negativo em relação à Argentina está incorporada ao preço dos papéis que compõem a carteira desses fundos. "Mas o agravamento da crise na Argentina pode provocar uma nova alta nos juros futuros, prejudicando novamente o rendimento dos fundos prefixados", avalia. De acordo com Castro, do BNP Paribas, o mercado está exagerando nos patamares de juros negociados no mercado futuro e essa tendência deve ser revertida, a partir de um cenário mais claro para a Argentina. Nesse caso, com a manutenção da aplicação, os investidores poderão recuperar o prejuízo. Selic pode subir maisAnalistas não descartam a possibilidade de uma nova alta da taxa básica de juros (Selic), que está em 16,25% ao ano, antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 22 e 23 de maio. Para Érico Capello, diretor de renda fixa da Lloyds Asser Management, caso aumentem as incertezas em relação à Argentina, é muito provável que o Comitê tome essa decisão. A diretoria da BankBoston Asset Management também acredita nessa possibilidade, mediante agravamento da situação argentina. As taxas de juros nas operações do mercado futuro, segundo a diretoria da instituição, já sinalizam essa expectativa dos analistas. Em caso de alta da Selic, as opiniões dos analistas divergem sobre qual seria o comportamento das taxas de juros depois da decisão. Para o executivo do JP Morgan, poderia haver uma acomodação dos juros no longo prazo, com tendência de queda. Porém, pode prevalecer um clima de nervosismo, segundo o diretor do BNP Paribas, o que pressionaria uma nova alta dos juros futuros. Veja mais informações na Coluna de Investimento no link abaixo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.