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Rendimento dos mais ricos sobe mais que o dos mais pobres e concentra renda

Renda dos 10% mais pobres avançou 3,5% em 2013, abaixo da alta de 6,4% dos 10% mais ricos, invertendo uma tendência observada desde 2005

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2014 | 10h00

O rendimento médio mensal real de todos os trabalhos ficou em R$ 1.681,00, valor 5,7% superior à média do rendimento apurado em 2012 (R$ 1.590,00), mas cresceu mais fortemente entre os mais ricos, mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por causa disso, o processo de redução da desigualdade de renda parou desde 2011.

"Para o Índice de Gini melhorar, a gente precisaria que as pessoas que fazem parte das camadas mais pobres passassem a ter aumentos superiores às populações que fazem parte dos mais ricos. Não é o que a gente está observando", afirmou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad.

Isso ocorreu na década passada. Desde 2005, a renda média mensal tem aumento real todos os anos, mesmo nos anos de baixo crescimento econômico, como 2009 e 2012. Nesse processo, o rendimento dos que ganham menos avançou mais rapidamente, mas o quadro mudou em 2012 e 2013.

Ano passado, o rendimento médio real dos 10% mais pobres ficou em R$ 235,00, 3,5% maior do que o verificado em 2012. Por outro lado, os empregados pertencentes à classe dos 10% de rendimentos mais elevados viram a média de renda real subir 6,4%, para R$ 6.930,00, acima da taxa para o total dos trabalhadores.

Descompasso. Maria Lucia, do IBGE, evitou citar explicações para esse descompasso, mas recomendou atenção aos reajustes do salário mínimo. "Como estamos falando de rendimento de trabalho, a gente tem que olhar como foi a variação do salário mínimo", disse.

Para a economista Sônia Rocha, pesquisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), pode estar havendo elevação dos salários dos trabalhadores mais qualificados por conta da escassez de mão de obra de maior qualidade. Como há poucos profissionais qualificados no mercado, as empresas são obrigadas a pagar altos salários para atraí-los.

"É possível que esteja havendo de novo um 'prêmio' salarial associado à escassez de mão de obra qualificada", disse Sônia.

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