Renegociação da dívida argentina alivia mercado

Algumas notícias positivas aliviaram um pouco a tensão dos mercados. O destaque foi para a informação dada pelo novo presidente do Banco Central argentino, Roque Maccarone, a uma rádio de que o governo está estudando a troca de títulos da dívida argentina de curto prazo por papéis de 20 a 30 anos. O anúncio oficial será feito nos próximos dias em Washington, na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI).Após operar em alta durante a manhã, o dólar começou a cair à tarde, fechando em R$ 2,2440, queda de 1,97% em relação a ontem. A reação mais otimista foi da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que fechou em alta de 4,20%. Os juros também caíram significativamente, tanto no Brasil como na Argentina. Os contratos de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 21,450% ao ano, frente a 23,500% ao ano ontem. E o índice Merval da Bolsa de Buenos Aires subiu 3,95%.A renegociação da dívida daria um fôlego para a economia argentina, há 34 meses em recessão. Os investidores aguardam a divulgação dos termos específicos do acordo para fazer uma avaliação mais precisa. Além disso, o mercado, os bancos e o FMI insistem que só rolar os papéis não é solução e cobram medidas viáveis de ajuste da economia. Ontem o governo já havia anunciado cortes no orçamento de US$ 700 milhões e espera-se mais. Se o pacote for consistente e tiver implementação rápida e hábil, com apoio financeiro internacional, o tão alardeado colapso econômico pode não vir. Conseqüentemente, o humor dos mercados pode melhorar, mesmo que haja algum tumulto logo após o anúncio das medidas.Depoimento de ACM não surpreendeSecundariamente, o depoimento do Senador Antônio Carlos Magalhães na Comissão de Ética do Senado sobre o episódio de violação do painel de votação secreta na sessão que cassou o ex-Senador Luis Estêvão não trouxe surpresas. O Senador eximiu-se de toda a responsabilidade e culpou a funcionária do Serviço de Processamento de Dados do Senado (Prodasen), Regina Borges. ACM não negou a existência da lista discriminando os votos de cada Senador ou o conhecimento do seu conteúdo. O importante é que não surgiram novas denúncias ou novos implicados, o que o mercado mais temia. Com isso, ganha viabilidade a tese de que a crise política esteja sendo abafada, o que tranqüiliza os investidores.Ata do Copom agradouA ata da última reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) também foi considerada esclarecedora pelo mercado. O Comitê reafirmou a meta de inflação para 2001, de 4% pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA). O governo ressaltou seus esforços para perseguir a meta através da manipulação dos juros, rechaçando qualquer compromisso de ingerência no câmbio.Mercados norte-americanosDadas as turbulências na Argentina, as variações nos mercados dos Estados Unidos estão exercendo pouca influência nos mercados brasileiros. Mas, no longo prazo, especialmente se a situação do país vizinho começar a se estabilizar, a recuperação das bolsas em Nova York terá impacto positivo. Hoje, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,63%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 1,21%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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