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Renovação de frota de carros é lenta

Apesar dos recordes de vendas de automóveis novos, 41% dos que circulam pelo País têm mais de 10 anos

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2008 | 00h00

Mais de 1,5 milhão de carros com mais de 21 anos, considerados inadequados para transporte, circulam pelo País. Já a frota acima de 15 anos é de 4 milhões de veículos. Apesar do recorde de vendas de modelos zero-quilômetro, a frota brasileira tem se renovado lentamente por causa do elevado número de carros antigos em uso.Considerando todos os veículos com mais de dez anos, o número chega a 10,5 milhões, equivalente a 41% da frota. Em 2000, os veículos com mais de uma década correspondiam a 37% da frota, porcentual que foi para 39% em 2006. As vendas de carros novos crescem há quatro anos seguidos e atingiram 2,46 milhões de unidades em 2007, um recorde. "As vendas de novos começaram a crescer mais consistentemente a partir de 2004, por isso ainda não houve tempo para uma renovação mais significativa", explica Bruno Serra, que coordenou recente pesquisa sobre a idade da frota brasileira.Segundo ele, os veículos que rodam pelo País têm idade média de 9,2 anos, igual à dos Estados Unidos, do México e do Canadá. Em 2000, a média era de 9,4 anos, faixa mantida com poucas alterações até 2006. "Há um processo gradual de renovação, mas não existe uma revolução porque a massa de veículos antigos é grande."Considerando apenas os modelos com de 16 a 20 anos, a participação na frota manteve-se em 10%, mesmo porcentual de 2006, o equivalente a 4,1 milhões de veículos. Os velhinhos, com mais de duas décadas, também mantiveram cota de 6% na frota. Em ambos os casos, houve redução de 3 pontos porcentuais na comparação com a fatia registrada em 2000.Para a indústria, a vida útil de um automóvel é de 20 anos, enquanto para os comerciais leves (picapes, utilitários esportivos e jipes) é de 15 anos. Caminhões e ônibus variam de 17 a 25 anos, dependendo do tipo.Para Luiz Carlos Mello, presidente do Centro de Estudos Automotivos (CEA) da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), veículos com mais de duas décadas "não podem ser considerados confiáveis". Serra avalia, porém, que os carros velhos estão mais concentrados no interior. "Na capital de São Paulo, por exemplo, já não se vê tantos."FROTA MAIOREstudo concluído na semana passada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) indica que a frota brasileira cresceu 27,3% desde 2000 e acumula 25,6 milhões de veículos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e tratores.O número é muito diferente da frota nacional divulgada pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), que fala em 45,3 milhões de veículos, incluindo motocicletas e reboques.Os dados do Sindipeças levam em conta o sucateamento que ocorre anualmente com a retirada de veículos velhos de circulação, acidentes com perda total e roubos sem recuperação, fatores que não são considerados nos dados do Denatran."Esses fatores eliminam, em média, 1,5% da frota anualmente", calcula Serra, coordenador-geral da pesquisa do Sindipeças. Guiadas pelo estudo, as mais de 400 empresas de autopeças no País programam a produção anual de suas fábricas.Com base nessa metodologia de cálculo, é possível que a frota da cidade de São Paulo, estimada pelos órgãos oficiais em até 6 milhões de veículos, seja bem inferior, mesmo somando as motocicletas. Para Mello, as vendas de veículos novos no Brasil permaneceram "num vale" por muito tempo e só nos últimos quatro anos passaram a crescer seguidamente. No ano passado, foram vendidos 27,8% mais carros que no anterior, quando a soma foi de 1,92 milhão de unidades. Em 2005 havia sido de 1,71 milhão e, em 2004, de 1,57 milhão de unidades. "Antes disso, os volumes eram bem menores e inda não houve volume suficiente para rejuvenescer a frota", afirma.Mello lembra ainda que as vendas de carros estão concentradas nas capitais e grandes cidades, com problemas de congestionamentos. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) apontam que só 20 municípios compraram metade de todos os automóveis vendidos no ano passado. A outra metade foi diluída entre os mais de 5 mil municípios do País.Na lista das cidades que lideraram as compras, 15 são capitais, com São Paulo à frente, seguida por Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e pelo Rio de Janeiro.

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