Renovação do acordo com FMI ainda não está decidida

O secretário de assuntos internacionais do ministério da Fazenda, Otaviano Canuto, disse hoje, durante seminário em São Paulo, que a renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda não está decidida. "Não se vai tomar a decisão antes do tempo", afirmou. Quanto ao saque de US$ 4 bilhões referente à continuidade do acordo atual, Canuto disse que o dinheiro do Fundo conta com regras específicas de utilização, mas nada impede que os recursos venham a ser utilizados para intervenção no mercado cambial. "Estes recursos fortalecem as defesas do País", comentou Canuto. Acrescentou ainda que o FMI é "um ativo de credibilidade para a política econômica", ao avalizar a responsabilidade do governo na busca de um superávit primário adequado e por uma política monetária austera. Ele disse também que a liberação dos US$ 4 bilhões vai depender da aprovação do board do Fundo. Segundo Canuto, o balanço de pagamentos do País está tranqüilo, a despeito da queda dos investimentos estrangeiros diretos. O secretário está prevendo que os investimentos cheguem a US$ 10 bilhões neste ano, ante US$ 16,6 bilhões em 2002. Segundo ele, a queda deve-se às restrições aos investimentos do final do ano passado, que estão se refletindo agora, e também a uma conjuntura internacional adversa. O secretário explicou, porém, que esta taxa de investimentos é compatível com o fim do ciclo anterior de privatizações e cobre as necessidades de financiamento externo do País. Necessidade de investimentoCanuto admitiu, no entanto, que há necessidade de um aumento na taxa de investimentos na economia brasileira. Esta taxa, nos últimos 12 anos, esteve abaixo dos 20% do PIB, mas para se produzir um crescimento sustentado de 4% ao ano precisaria subir para 22% a 25% do PIB.Canuto disse também que o governo vai procurar reduzir a "despoupança do setor público" e, com isso, haverá uma queda gradual das taxas de juros. Assim, se chegaria ainda até o final deste governo a um superávit nominal das contas públicas. Ele disse também que, mantido o superávit primário de 4,25% do PIB, um crescimento da economia de 3,5% a 4% e um juro real de 8%, vai se chegar ao final da década a uma relação dívida pública/PIB de 40%, ante mais de 50% atuais. Esta redução da despoupança pública, com medidas como as reformas da Previdência e tributária, poderá fazer com que o país rompa o patamar histórico de juro real de 10%, previu Canuto.

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