Tiago Queiroz/Estadão
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Tesouro Direto: títulos de longo prazo ficam mais rentáveis com queda da Selic

Investidor que vendeu papel indexado após corte da Selic ganhou 0,49%; já para prefixados rentabilidade ultrapassou 1,54% além do acertado com o Tesouro

Ana Luiza de Carvalho, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2019 | 05h00
Atualizado 23 de setembro de 2019 | 13h56

Com o corte da Selic para 5,5% ao ano, anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na semana passada, os pequenos investidores já começam a temer a queda de rentabilidade de títulos atrelados à taxa de juros básica da economia brasileira.

O cenário, porém, não é tão ruim para os títulos públicos de médio e longo prazos, que já registraram crescimento nos ganhos após a nova baixa da Selic. As informações são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que tem índices de acompanhamento para esse tipo de papel.

Os indicadores levam em conta a negociação de títulos no mercado secundário, ou seja, quando uma pessoa física vende seu título para outra. O índice IMA-B5+, formado por papéis indexados de prazo superior a cinco anos registrou alta de 1,54% até o meio-dia da última quinta-feira, dia seguinte ao anúncio do Copom. A variação do índice na manhã anterior ao anúncio foi bem mais modesta: ficou em 0,3%.

De acordo com o professor de finanças do Insper Ricardo Rocha, a tendência é que os prefixados se valorizem. Após o anúncio do Copom, IRF-M1+, que reflete os papéis acima de um ano, avançou 0,49%. Como o rendimento do título é estabelecido no momento de compra do papel, o investidor fica sujeito a variações do mercado caso queira vendê-lo antes do prazo previsto. Na situação atual, a venda é bom negócio porque quem busca um título pode preferir comprar o mesmo papel no mercado secundário, emitido anteriormente e com rentabilidades mais altas. “Se você tem um título prefixado a 6,5% e a taxa caiu a 5,5%, esse 1 ponto porcentual de diferença faz com que seu título seja mais atraente aos olhos do mercado. Se você for vender seu papel, ele vale mais”, explica.

A professora da Fundação Getulio Vargas Myrian Lund diz que a diferença de preços vem da expectativa do mercado, que estima em quanto estarão as taxas no prazo de vencimento de cada papel. Esse valor varia de acordo com os fundos DI futuros, índice que serve de referência para os juros de empréstimos entre bancos.

Segundo Hilton Notini, gerente de Preços e Índices da Anbima, a negociação dos papéis pode ter levado em conta não apenas o corte do Copom, mas também o que os investidores esperam para os próximos meses. “O mercado vem trabalhando com taxas de juros ainda menores”, explica. Analistas do mercado já estimam que taxa Selic pode fechar 2019 a 4,75% ao ano.

Popularidade

De acordo com dados do Tesouro Nacional, o Tesouro Direto tinha em julho passado 1,1 milhão de investidores ativos. A popularidade dos títulos públicos vem crescendo: no mês de julho, o Tesouro registrou 36.373 investidores novos, número 3,39% maior do que no mês anterior. O título mais popular é o Tesouro Selic, com rentabilidade atrelada à taxa de juros básica, que representou 49,46% das vendas de títulos públicos naquele mês. 

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