Rentabilidade dos bancos médios fica comprometida no trimestre

Segundo especialistas, a tendência é que essas margens continuem baixas com a queda do ritmo da economia

CYNTHIA DECLOEDT, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2013 | 02h16

Os bancos médios voltaram a ter um trimestre difícil e o baixo crescimento econômico exigiu que a cautela com o tamanho e a qualidade de suas carteiras de crédito fossem mantidas. Essa estratégia acabou, entretanto, por comprometer a rentabilidade, tanto como efeito adverso da diminuição das carteiras de crédito, como pela queda das margens ao focarem em tomadores de menor risco.

A rentabilidade (ROE) do banco Daycoval caiu seis pontos porcentuais no último trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O Pine viu esse indicador cair 5,8% e o Banrisul, 0,3. No caso dos bancos ABC Brasil, Paraná Banco e Bicbanco, a rentabilidade aumentou, mas ainda assim não chegou a ter um ganho de um ponto porcentual.

A surpresa negativa neste segundo trimestre foi a oscilação drástica da curva futura de juro brasileira, o que trouxe perdas em tesouraria para vários bancos. Outro desafio enfrentado, e que deve se repetir nos próximos trimestres, é o ingresso ou ampliação da agressividade dos grandes bancos, incluindo os públicos, no segmento de crédito às pequenas e médias empresas, assim como no consignado.

"O foco dos últimos 12 meses foi buscar uma boa fotografia do risco, priorizando indicadores como liquidez e qualidade, em detrimento da rentabilidade e lucro", disse João Sales, analista de bancos da Lopes Filho Consultoria. Sales adverte que essa estratégia, de busca por qualidade é, entretanto, perigosa, porque os bancos não conseguem crescer.

Sales diz que, mesmo prevendo um segundo semestre igualmente difícil, o pior já ficou para trás. "Os bancos médios fizeram o dever de casa nos últimos 12 meses e estão mais preparados, com carteiras de crédito de melhor qualidade e menores, o que permite suavizar as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD)", disse.

Futuro. Ainda assim, a rentabilidade dessas instituições seguirá comprimida, porque desafios como o custo de captação elevado e a fraca economia, persistem. "Mesmo que o governo tenha incentivado o uso dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial do FGC, melhorando o custo desse instrumento, sua utilização é vista com preconceito, ou seja, as captações via Certificados de Depósito Bancários ficam mais caras aos bancos que acessam o DPGE, que é visto como um último recurso", disse o analista.

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