Rentabilidade dos IPOs no Brasil é negativa, diz Credit

Das 117 ofertas públicas iniciais avaliadas pelo banco suíço no País, 80 geraram perdas para o investidor

REUTERS, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h15

A rentabilidade das ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) realizadas no Brasil desde 2005, corrigida pelo CDI, foi negativa em 15%, segundo levantamento divulgado ontem pela Credit Suisse Hedging Griffo.

A análise considera a rentabilidade que um investidor teria obtido até a data atual se tivesse mantido os papéis comprados na oferta inicial. Entre os setores com desempenho positivo estão telecomunicações, concessões e imóveis, enquanto consumo, empresas financeiras, petróleo e indústria puxaram o desempenho para baixo.

Desconsiderando o efeito negativo da OGX, o total ainda seria negativo em 12,6%, afirmou Luis Stuhlberger, diretor da Credit Suisse Hedging-Griffo, gestora de ativos com patrimônio superior a R$ 45 bilhões, que participa do 6oº Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, em Campos do Jordão (SP).

"Quase nenhum setor compensou o risco de equity", disse, acrescentando que, quanto mais dependente de resultados futuros a empresa é, pior o desempenho. Dos 117 IPOs avaliados pela Hedging-Griffo, 37 geraram resultados positivos para o investidor, com rentabilidade superior ao CDI, enquanto os 80 restantes ficaram abaixo.

Outro levantamento apontou que desde 2008, as companhias com melhor retorno acumulado são aquelas que Stuhlberger chamou de "empresas de qualidade" - com retorno sobre capital empregado acima do custo de capital - enquanto empresas estatais, pré-operacionais ou oligopólios tiveram os piores retornos.

No grupo considerado de qualidade pelo diretor existem cerca de 50 empresas, dentre as quais CPFL, Duratex, Itaú Unibanco, Klabin, Localiza, Lojas Renner, Odontoprev, Porto Seguro, Totvs, Ultrapar, Aliansce, AES Tietê, Cyrela e AmBev, citou.

Câmbio. Sobre o câmbio, o diretor da Credit Suisse Hedging-Griffo disse que a moeda americana cotada a R$ 2,40 está em patamar adequado e que o surpreendente o fato de o dólar ter permanecido por tanto tempo a R$ 1,80 . "Os livros de comportamento econômico chamam isso de viés de ancoragem, quando os players acreditam em uma realidade a tal ponto que é preciso que haja catalisadores para movê-los e, quando aparecem, o efeito seguinte é um movimento drástico e especulativo", explicou.

Stuhlberger disse que, se o dólar fosse trazido do ano 2000 para os dias de hoje, considerando simplesmente a inflação brasileira descontada da norte-americana, o câmbio estaria em R$ 3,20. "Mas não acho que essa seja a realidade."

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