Renúncia de Köhler gera especulação e debate sobre sucessão

Com a renúncia ontem do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, que será candidato à presidência da Alemanha, foi iniciada uma intensa especulação sobre quem será seu sucessor. O jornal The Guardian afirma hoje que o chanceler britânico, Gordon Brown, responsável pela economia do país, está sendo cogitado para ser o novo chefe do Fundo. Com isso, Brown, que é o provável sucessor de Tony Blair na liderança do Partido Trabalhista, seria forçado a abandonar o seu sonho de se tornar primeiro-ministro. Mas hoje cedo, um porta-voz de Brow disse que ainda é muito cedo para se comentar sobre essa possibilidade. Segundo o Guardian, fontes do FMI confirmaram ontem que Brown seria um dos candidatos mais fortes para suceder Köhler. "Essa notícia gerou uma crise de liderança no Fundo, com algumas fontes afirmando que a reputação de Brown de lutar pela justiça social em escala global o torna um potencial favorito para o cargo", disse o jornal. Essa ênfase no combate à miséria fez com que Brown, inclusive, se aproximasse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mês passado, durante um seminário organizado por Brow em Londres para discutir formas de se financiar a redução da pobreza no mundo, Lula participou através de vídeo-conferência. Em 2000, quando Köhler foi apontado para a chefia do Fundo, Brown já havia sido cogitado para ser o chefe do organismo multilateral em Washington. Outras opiniões Já o jornal Financial Times afirma que os candidatos favoritos para ocupar o cargo de Köhler são o chefe do Banco Europeu para a Reconstrução, Jean Lemierre, e o ministro das finanças da Espanha, Rodrigo Rato. Lemierre, que também foi diretor do tesouro francês, é cotado pelo bom desempenho à frente do organismo europeu. Rato é muito respeitado dentro do FMI. Segundo o FT, a escolha de Brown seria improvável, por causa das ambições políticas dele no Reino Unido. Outros possíveis candidatos para o comando do Fundo seriam o ex-primeiro-ministro da Itália, Giuliano Amato e o ex-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer. Regras contestadas Em editorial, o Financial Times afirma que é preciso encerrar a tradição de 55 anos que concede o comando do FMI a um europeu e a do Banco Mundial a um norte-americano. Segundo o jornal, é preciso se instituir uma busca mundial por candidatos a executivos baseada no mérito, ao invés da nacionalidade. O FT observa que é intrigante porque um país teria benefício real de indicar um de seus cidadãos para o comando do FMI ou Banco Mundial. E isso vale ainda mais no caso da Europa Ocidental e Estados Unidos, pois eles não captam empréstimos dessas instituições. O FT afirma que, no final, os europeus, com a cumplicidade dos americanos, deverão decidir quem será o sucessor de Köhler, pois ambos possuem a maioria dos votos no conselho diretivo do FMI. "Mas eles deveriam fazer isso apenas uma busca global pelo melhor candidato".

Agencia Estado,

05 Março 2004 | 18h41

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