Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Renúncia fiscal com PEC sobre energia e combustível pode chegar a R$ 240 bi

Estimativa da XP Investimentos alerta para risco fiscal vindo da proposta de zerar tributos sobre combustíveis e energia, em discussão entre o governo federal e o Congresso

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2022 | 05h00

BRASÍLIA - A proposta em negociação entre governo e Congresso para zerar os tributos sobre combustíveis e energia tem potencial de tirar R$ 65 bilhões dos cofres do Tesouro Nacional. Se todos os Estados encampassem essa desoneração, a perda de receitas subiria a R$ 240 bilhões.

Os cálculos são da XP Investimentos, em relatório que aponta lições vindas da política fiscal do País em 2021. A projeção é de déficit de R$ 105 bilhões em 2022, que subiria caso a desoneração seja aprovada. Por outro lado, a inflação cairia 4,2 pontos, de 5,2% para 1%.

A primeira lição é a de que “com receita não se brinca” num ambiente em que o aumento da arrecadação permitiu um resultado das contas públicas muito melhor do que o esperado.

Os aliados do presidente Jair Bolsonaro querem utilizar esse “excesso” de arrecadação para a redução de tributos em ano de eleições. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) busca driblar a regra de compensação diante de uma perda de arrecadação.

“Continuamos usando a desculpa de receitas temporárias para alterar as regras fiscais”, diz o economista-chefe da XP, Caio Megale. “Como falar em excesso de arrecadação se continuamos rodando no vermelho desde 2014?”, questiona. 

Ele ressalta que a receita que iria para o Tesouro pode acabar financiando grandes consumidores de energia e acionistas da Petrobras. O retorno para o consumidor deve ser pequeno segundo estimam integrantes da própria equipe econômica: redução de R$ 0,18 a R$ 0,20 no preço da gasolina na bomba.

De autoria do especialista em contas públicas Tiago Sbardelotto, egresso do Tesouro, o relatório pontua que a mexida nas regras acaba tendo efeito sobre juros e câmbio e gerando uma piora da gestão fiscal para frente. 

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