Repasse da indústria ao varejo será limitado, diz Fecomércio

O repasse ao varejo dos aumentos de preços que a indústria está realizando será limitado neste mês de fevereiro, afirmou hoje o economista Fábio Pina, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), em entrevista à Agência Estado. "Até porque os repasses não acontecem ao mesmo tempo", disse. Segundo ele, fatores como a renda deprimida, aquecimento lento da atividade econômica e o desemprego, além dos estoques baixos do comércio, inibem o repasse.Em janeiro, o Índice de Preços ao Varejo (IPV), calculado pela Federação, ficou em 1,67%, acima da previsão de 0,5%. Em fevereiro, a entidade acredita que o indicador será pouco menor que 1%. Segundo matéria publicada hoje em O Estado de S. Paulo, os aumentos nos produtos industriais são de até 20%. "Os reajustes são de até 20% e não em média de 20%, o que resultaria em uma inflação monstruosa", disse.O economista afirmou que o repasse dos aumentos da indústria ao varejo dependerá do espaço que cada comerciante tem para isso. "Cada um repassa de acordo com a sua margem e da capacidade dos clientes de aceitar esse repasse. Se o consumidor não aceitar, o empresário tem de rever sua estratégia de preço. Não adianta repassar e não vender", disse.O economista defendeu o direito do empresário em recompor ou aumentar margens de lucros, mas que tal atitude só é viável se houver condições. "É a lógica do empresariado, mas não há espaço para recompor margem como no mês passado", afirmou.

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