Repelentes não funcionam como deveriam

Um teste que avaliou 11 marcas de repelentes existentes no mercado brasileiro revelou que todas apresentam baixa concentração de princípio ativo (a substância que afasta os insetos e evita as picadas) e duram muito menos do que deveriam - o melhor avaliado tem duração que não ultrapassa três horas e meia, menos do que as seis horas indicadas pelos avaliadores.O levantamento, feito pela Pro Teste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor -, também analisou instruções das embalagens, praticidade e preço. Nenhum dos 11 produtos mereceu a nota máxima ´muito bom´. Os melhores avaliados foram as variações do repelente Autan (Bayer), que tiveram nota ´bom/aceitável´, e os produtos Citropic (Paloma) ficaram em último lugar, sendo avaliados entre ´regular e ruim´.A Pro Teste já enviou cartas aos fabricantes, pedindo mudanças nas fórmulas e nas instruções das embalagens. A associação, uma entidade civil que reúne 60 mil sócios no Brasil e é ligada à européia Euroconsumers, também vai recorrer à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para que ela defina parâmetros mínimos de quantidade de princípio ativo e obrigue os fabricantes a seguir padrões internacionais.Segundo a Pro Teste, os repelentes deveriam ter uma concentração mínima de 20% de princípio ativo, a exemplo do que ocorre na Europa e nos EUA. Mas os 11 repelentes tinham menos de 10% de princípio ativo. Por causa disso, alertam os avaliadores, os produtos têm duração inferior ao desejável. O mais duradouro é o Autan, que resiste cerca de 3 horas e meia. O Citropic não dura mais de 2 horas. "O consumidor paga por um produto que precisa de um volume grande de aplicações, muitas vezes sem saber disso", afirma Paulo Roberto Bühler, secretário-executivo da Pro Teste. "E, apesar de estar usando um repelente, corre o risco de ser picado e contrair uma doença."Bühler explica que a Pro Teste decidiu realizar o teste agora para dar tempo a que os fabricantes melhorem seus produtos e garantam que o consumidor use algo confiável durante possíveis novas epidemias de dengue. O teste com os repelentes foi feito com os mosquitos Aedes aegypti, o transmissor da dengue, e com o Anopheles, que transmite a malária. E, apesar da pouca duração, todos os repelentes se mostraram eficazes para afastar os dois mosquitos.Em resposta ao teste, a Paloma Indústria e Comércio, que fabrica o Citropic, disse que pretende incluir informações na embalagem, mas argumentou que, como o produto é à base de citronela, a concentração não pode ser superior aos 10%. A Bayer, que fabrica o Autan, afirma que a concentração de 10% do princípio ativo foi aprovada pelo Ministério da Saúde. A Johnson & Johnson, responsável pelo Johnson´s Baby, disse que a concentração de seu princípio ativo é 12,5%, aprovada pelo ministério.A Reckitt Benkiser (fabricante do Super Repelex) comentou os procedimentos utilizados na avaliação. A reportagem do Estado contatou a Ceras Johnson (fabricante do Off!), mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.AlternativaEm São Paulo, o médico Luiz Jacintho da Silva, da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), lembra que os repelentes não são recomendados para a população em geral, muito menos por longos períodos. "Esses produtos têm indicações precisas, como proteger alguém que fará uma caminhada na mata por dois dias." Segundo Silva, nesses casos, uma alternativa é usar camisa com manga comprida e calça. Já se sabe que o uso prolongado de repelente pode causar efeitos colaterais, como lesões neurológicas.

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