Repercussões do petróleo no crédito

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 16,5% ao ano e o viés neutro, ou seja, manutenção da taxa até o próximo encontro, nos dias 17 e 18 de outubro. Essa decisão era aguardada pelo mercado financeiro devido ao aumento da cotação internacional do barril de petróleo. Ontem, o produto voltou a subir. Em Londres, os contratos de petróleo tipo bruto com vencimento em novembro fecharam em US$ 33,74.Crédito ao consumidorPara o consumidor, o aumento do preço do petróleo também causa preocupação. Teme-se que a continuidade da crise provoque diminuição no ritmo de crescimento interno, com conseqüências negativas para o emprego e aumento na inadimplência. "Caso isso ocorra teremos elevação nas taxas de juros e maior seletividade no crédito, com os bancos optando pela aplicação em títulos do governo", diz o diretor de produtos corporate do banco CCF Brasil, Hitosi Hassegawa.Mesmo que essa possibilidade ocorra, o analista de bancos do Banco Pactual, Bruno Zaremba, acredita que as carteiras de crédito dos bancos e financeiras vão continuar crescendo, "talvez de uma forma menos agressiva". Segundo ele, com o atual nível de taxas nominais de juros, as instituições financeiras não têm outra alternativa para aumentar a sua rentabilidade do que a aposta no mercado do crédito.Por enquanto, a inadimplência ainda não preocupa e a renda continua no mesmo patamar - várias categorias terão dissídio nos próximos dois meses. "O mercado está líquido, não houve alteração no nosso custo de captação e as vendas vêm crescendo", diz o diretor de operações da financeira Losango, Manuel Vieira. Segundo ele, a perspectiva continua sendo de crescimento, e o custo só vai subir se a taxa de captação e a inadimplência aumentarem.Para o diretor de tesouraria do Banco Alfa, Ivan Dumont da Silva, a economia passa por uma fase de realinhamento de preços, que ainda não estão tendo impacto sobre os juros. "Se a pressão for muito forte, aí sim teremos uma reavaliação nos preços do crédito", diz.

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