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Reportagem do FT provoca mal-estar entre UE e Mercosul

Uma reportagem publicada pelo jornal Financial Times, afirmando que a União Européia planeja "comprar" o apoio do Mercosul criou um clima de mal-estar entre os dois blocos, justamente num momento crucial das negociações para a um acordo de livre comércio. O diário financeiro britânico afirmou ontem - e voltou a tratar do assunto hoje - que os europeus estão dispostos a fazer concessões para o setor agrícola numa estratégia para obter o apoio bloco liderado pelo Brasil para a rodada multilateral do comércio de Doha. O FT alerta que uma oferta de Bruxelas de concessões preferenciais para o Mercosul poderá dividir o Grupo de Cairns, que reúne países em desenvolvimento exportadores de produtos agrícolas, e o G-20, liderado pelo Brasil. Além da hipótese levantada pelo jornal britânico, as incertezas sobre a data da troca de ofertas de acesso aos mercados entre os dois lados também está gerando alguma inquietação entre os representantes do Mercosul. Inicialmente, a troca deveria ocorrer hoje, mas a pedido dos europeus foi adiada para amanhã, sexta-feira. Mas representantes europeus já não asseguram que o evento ocorrerá nesta semana. A reportagem do FT foi criticada por ambos os lados, principalmente o trecho que afirma que a UE estaria "comprando"o apoio da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai com a sua oferta de concessões comerciais prefenciais. "Trata-se de uma interpretação incorreta, sem fundamento", disse o porta-voz para a área agrícola da Comissão Européia, Gregor Kreuzhuber. Ele observou que as negociações entre a UE e o Mercosul já estão ocorrendo há anos. "Imaginar que temos uma estratégia de dividir o G-20 é um grande equívoco e as negociações bi-regionais entre nós e o Mercosul não substituem a rodada de Doha." Segundo Kreuzhuber, outros países em desenvolvimento não serão prejudicados por um tratamento preferencial dado ao Mercosul. "Acho estranho que os acordos bilaterais e bi-regionais fechados pelos Estados Unidos sejam vistos de uma maneira positiva e essa nossas negociações com o Mercosul sejam interpretadas de uma maneira depreciativa", disse. Kreuzhuber ressaltou que a UE acredita que acordos bilaterais e regionais servem para fortalecer as negociações multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC)O chefe da missão brasileira junto à Comunidade Européia, embaixador José Alfredo Graça Lima, considerou a tese do FT como "muito fantasiosa". Segundo ele, qualquer análise sobre a intenção dos europeus é precipitada. "Simplesmente ainda não vimos qual a proposta concreta dos europeus para se avaliar a sua qualidade e extensão.", disse Graça Lima. "Curiosamente, o aspecto útil dessa reportagem é que ela mostra um cenário hipotético inadimissível para o Mercosul, com os europeus tentando impor pré-condições e um clima de mal-estar entre os países em desenvolvimento. "Segundo o embaixador, as atuais negociações entre o Mercosul e a UE não estão tratando nem de apoio à produção interna nem de subsídios às exportações agrícolas européias. "Não vejo condições dessas negociações afetarem o G-20."Graça Lima observou que os europeus vêm dando sinais de que pretendem adiantar para o Mercosul uma parte de sua oferta agrícola junto à rodada multilateral de Doha, através da concessão de quotas de exportação para produtos considerados sensíveis. "Se isso for confirmado, teremos de ver a qualidade dessas quotas, como se dará o seu gerenciamento e evolução, ou seja, apenas com a oferta no papel poderemos ter uma avaliação precisa sobre a ambição da oferta européia."UE pode estar não querendo passar "cheque em branco"A incerteza sobre a data da troca de ofertas é interpretada de várias formas por pessoas próximas às negociações, embora possa ser considerada como um ritual normal num processo dipomático desse porte. Representantes do Mercosul afirmam que o pequeno foi sendo causado pelos europeus. "Eles podem estar querendo se assegurar que o Mercosul vai aceitar a oferta agrícola européia pois não querem passar um cheque em branco", disse uma fonte próxima às negociações. Já fontes da UE afirmam que a data da troca de ofertas será feita de comum acordo. "Queremos obviamente assegurar que a nossa oferta, que é muito ambiciosa, seja correspondida qualitativamente por um maior acesso aos mercados de bens, serviços, setor financeiro e compras governamentais do Mercosul", disse uma fonte da Comissão Européia. Ela deu sinais de que europeus parecem estar particularmente preocupados com oferta do Mercosul para as compras governamentais, que poderia ser considerada insatisfatória."Apesar desse ambiente de maior tensão, tanto os representantes do Mercosul como da UE mantêm, pelo menos publicamente, um tom positivo com a perspectiva de conclusão de um acordo bi-regional nos próximos meses. "Estamos preparados para melhorar nossas ofertas para o Mercosul e a perspectiva de um acordo em breve parece promissora", disse Kreuzhuber. "Esse tipo de turbulência numa fase crucial da negociação é normal", disse Graça Lima. A proposta do Mercosul, que está sendo finalizada hoje em Buenos Aires, será encaminha pelo governo da Argentina, que atualmente ocupa a presidência do bloco.

Agencia Estado,

15 de abril de 2004 | 08h30

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