Representante do comércio dos EUA critica o Brasil

O representante-adjunto para o Comércio dos Estados Unidos, embaixador Peter Allgeier, fez várias críticas à política comercial do Brasil em discurso hoje em São Paulo. Ele reduziu a importância das recentes vitórias do Brasil na Organização Mundial do Comércio, questionou a alta das exportações brasileiras, condenou a pirataria e reforçou as críticas contra a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar um Fome Zero Mundial. Sobre a vitória do Brasil na OMC contra os subsídios concedidos por outros países ao algodão e ao açúcar, ele alertou para "o perigo da ênfase exagerada no litígio em detrimento da negociação". Allgeier lembrou que "a participação do Brasil no comércio mundial é de apenas 1%, menor que há três décadas". Segundo ele, o crescimento "desproporcional" das exportações brasileiras se deve "a um único país, a China". Disse que o principal produto importado pela China é a soja. Em contrapartida, o produto que encabeça as importações brasileiras dos chineses são os eletrônicos. "Ao contrário de seu comércio com a China, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano consistem predominantemente (80%) de produtos industriais", afirmou.Allgeier, que é o segundo na hierarquia da representação comercial, abaixo de Robert Zoellick, condenou a proposta do Brasil para a disputa em torno do respeito à propriedade intelectual. Já apresentada na Organização Mundial de Propriedade Intelectual, ela propõe que o respeito à propriedade industrial não seja integral, mas parcial, abrindo espaço para uma "agenda do desenvolvimento". O tema será um dos assuntos que ele discutirá nesta quarta-feira em Brasília com autoridades do governo brasileiro. "Para que o Brasil mantenha o acesso preferencial ao mercado norte-americano pelo nosso programa de Sistema Geral de Preferências unilateral, sem falar de uma abertura mais ampla e permanente no âmbito da Alca, precisamos garantir a aplicação dos direitos de propriedade intelectual", alertou.Sobre a sugestão do presidente Lula de taxar as transações financeiras internacionais e o comércio de armas para combater a miséria e a fome no mundo, ele disse apenas que o governo norte-americano não acha "que taxar transações seja o melhor caminho para combater a pobreza e a fome que é problema mundial sério".

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