Representante do comércio dos EUA vem ao Brasil tentar conter danos políticos

Com a credibilidade do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, como defensor da liberalização do comércio comprometida pela decisão anunciada na semana passada de proteger a ineficiente indústria siderúrgica dos Estados Unidos, impondo novas barreiras às importações de aço, o representante de Comércio da Casa Branca, embaixador Robert B. Zoellick, desembarca nesta segunda-feira em Brasília.A visita servirá para iniciar a difícil tarefa de conter os danos políticos da medida, dar explicações e preservar o espaço de cooperação com o Brasil nas duas negociações internacionais que pautarão as relações entre os dois países nos próximos três anos: a nova rodada global de revisão das leis do comércio internacional na Organização Mundial de Comércio (OMC) e a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). EspinhosaPor causa da decisão sobre o aço, a visita de Zoellick - a primeira de um integrante do gabinete de ministros de Bush - é um desafio não apenas para ele próprio, como também para seu anfitrião, o chanceler Celso Lafer. "Lafer e Zoellick desenvolveram uma boa relação e trabalharam juntos para poupar o espaço para as exportações brasileiras de aço semi-acabado no mercado dos EUA, mas a situação do ministro brasileiro é espinhosa porque as novas barreiras colocaram obstáculos adicionais para abrir mercados já fechados por outras medidas protecionistas e para a expansão futura das exportações", disse um diplomata. Um funcionário do governo norte-americano indicou na sexta-feira que Zoellick está ciente da situação politicamente delicada que as medidas de salvaguarda criaram para o governo brasileiro, ao comentar as críticas que o presidente Fernando Henrique Cardoso e o próprio Lafer fizeram sobre a decisão protecionistas dos EUA. "Eles lidaram com a situação como estadistas que têm preocupações sérias", disse. "A importância que o aço tem para o Brasil significa que qualquer coisa que diminua as perspectivas de vendas é tema de preocupação; mas sentimos que eles reconhecem que esse é um problema global, que querem assegurar-se de que nossa ação foi apropriada sob a OMC e que, por mais importante que o setor siderúrgico seja em nossas relações, estas são muito mais amplas e temos responsabilidades compartilhadas, que queremos exercer conjuntamente". MensagensEm seus encontros em Brasília com o presidente Fernando Henrique Cardoso, os ministros da Fazenda, Pedro Malan; da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, e nas reuniões marcadas em São Paulo com empresários, formadores de opinião e representantes de sindicatos e de organizações não-governamentais, Zoellick enfatizará duas mensagens.A primeira, de que ele "trabalhou duro" - nas palavras de um de seus assessores - para limitar o impacto das medidas protecionistas sobre as exportações de aço brasileiras. O resultado é que o Brasil recebeu 52% da cota para placas de aço carbono, produto semi-acabado que representa mais de dois terços das exportações siderúrgicas do País para os EUA.A outra mensagem é que o Brasil e os EUA têm interesses comuns na liberalização dos mercados agrícolas e no projeto da Alca, que os dois países presidirão conjuntamente a partir de outubro.

Agencia Estado,

10 de março de 2002 | 00h00

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