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Representantes da indústria criticam MP dos sacoleiros

Abinee diz que o governo está mais preocupado com as críticas dos políticos paraguaios que chamam o Brasil de imperialista do que com a indústria nacional

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 09h26

A indústria reagiu à MP dos sacoleiros. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, fez críticas ao governo pela decisão. Em entrevista, ele criticou a política externa do governo de ajuda aos países vizinhos e alertou para os riscos da medida afastar novos investimentos no País. O dirigente informou que entidade pressionará os parlamentares a não aprovarem a MP."O Brasil está sendo benevolente com os países vizinhos e pagando um preço muito alto com essa mania do governo de querer fazer uma política de boa vizinhança sem contrapartida deles. Já foi a Bolívia e agora é o Paraguai", criticou. Segundo ele, o governo está mais preocupado com as críticas dos políticos paraguaios que chamam o Brasil de imperialista do que com a indústria nacional.Para a Abinee, o regime não poderia ter sido criado por meio de MP. "A MP não é o instrumento correto para a adoção dessa medida. Tudo que mexe com imposto tem que ser por meio de projeto de lei complementar", disse Barbato. Ele alertou também para os riscos de outros países vizinhos pediram o mesmo tratamento dado ao Paraguai.AfrontaJá o presidente do Instituto Brasil Legal, Edson Vismona, avalia que a MP é uma "afronta ao Mercosul por desrespeitar as regras do comércio internacional". Ele participou hoje da 2ª Mesa Redonda da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo sobre Direitos de Propriedade intelectual.Segundo ele, a MP vai prejudicar diretamente a indústria eletroeletrônica e de informática do país, que investiu recentemente na inauguração e na ampliação da capacidade produtiva. "A MP coloca em risco todos os investimentos que os setores vêm realizando. É uma medida que não tem nada de estratégico, já que viabiliza as importações com impostos mais baixos de terceiros países, prejudicando nosso parque industrial e a geração de empregos e renda", afirma.Vismona acrescenta ainda que tal medida deveria ter sido debatida antes pelo Congresso Nacional. "É um absurdo que saia por MP, sem que a gente possa debater e aprofundar a questão no Congresso Nacional."O secretário-executivo do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Direitos Contra a Propriedade Intelectual, do Ministério da Justiça, Andre Barcellos, afirma que "legalizar" a atividade dos sacoleiros não representa abrir as portas para a pirataria. "A legalização vai recair sobre o ingresso de produtos legais, não sobre os ilegais, que violem os direitos de propriedade intelectual."Ele ressalta, porém, que é preciso criar mecanismos de suporte aos órgãos de repressão, para que a fiscalização seja feita de forma adequada. "Legalizar os sacoleiros significa trazer os sacoleiros da informalidade para a formalidade."

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