Republicanos e democratas se dizem otimistas sobre acordo da dívida americana

Líder de minoria republicana no Senado diz que partidos estão 'muito perto' de acordo; senadores votarão proposta neste domingo.

BBC Brasil, BBC

31 de julho de 2011 | 13h05

Democratas e republicanos se dizem otimistas sobre as chances de chegar a um acordo sobre o aumento do teto da dívida pública dos Estados Unidos antes da próxima terça-feira, na tentativa de evitar uma moratória.

Neste domingo, o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell disse que os dois partidos estavam "muito perto" de fecharem um acordo que elevaria o teto da dívida dos EUA - atualmente em US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) - em US$ 3 trilhões, após conversas com o vice-presidente Joe Biden.

O senador democrata Richard Durbin também falou que havia "um sentimento mais positivo" sobre a questão.

Espera-se que o acordo seja votado no Senado, de maioria democrata, nas próximas horas.

Caso seja aprovado, o acordo poderá ser submetido a uma votação na Câmara dos Representantes (deputados federais), de maioria republicana, antes da terça-feira, prazo final para a decisão.

Caso o impasse do teto da dívida não seja resolvido até 2 de agosto, os EUA não terão como cumprir com todas as suas obrigações financeiras, o que pode forçar uma moratória com prováveis impactos na economia mundial.

Em uma entrevista ao canal de TV NBC neste domingo, o conselheiro da Casa Branca David Plouffe disse que "é preciso resolver isso logo". "Hoje é, obviamente, um dia crítico", disse.

Disputa de propostas

Democratas e republicanos rejeitaram as propostas uns dos outros nas duas casas do Congresso americano.

O presidente Barack Obama apoia a proposta do líder democrata do Senado, Harry Reid, que aumenta o teto da dívida em US$ 2,7 trilhões e promove cortes orçamentários de US$ 2,2 trilhões, o que faria com que o assunto não precisasse ser discutido novamente até depois das eleições de 2012.

Mas na tarde do último sábado, a Câmara rejeitou a proposta de elevação do teto da dívida americana por 246 votos a 173, mesmo antes de o Senado ter votado a proposta.

Na noite de sábado, Reid adiou a votação no Senado para a tarde deste domingo, na esperança de um avanço na negociações.

"Estão acontecendo negociações na Casa Branca para evitar uma moratória catastrófica das dívidas do país, disse o senador.

Na última sexa-feira, o Senado rejeitou um projeto que havia acabado de ser aprovado na Câmara dos Representantes.

O plano, proposto pelo presidente da Câmara, o republicano John Boehner, e aprovado por 218 votos a 210 na Casa, previa a elevação do teto da dívida dos EUA em US$ 900 bilhões, o que permitiria o pagamento de dívidas por mais alguns meses, além de cortes orçamentários estimados em US$ 917 bilhões e mudanças constitucionais para tentar equilibrar o orçamento.

Mas os democratas dizem que o projeto forçaria o Congresso a votar em uma nova extensão do teto da dívida daqui a alguns meses - em meio à corrida eleitoral presidencial de 2012.

'Comprometidos'

Em entrevista à rede de TV CNN neste domingo, o líder republicano Mitch McConnell disse que os negociadores estão perto de chegarem a um acordo.

"Estamos completamente comprometidos com a única pessoa nos Estados Unidos que pode fazer com que essa proposta vire lei", disse.

O presidente americano Barack Obama pediu, neste sábado, que os líderes democratas e republicanos cheguem rapidamente a uma solução bipartidária para impedir que o governo fique sem dinheiro para pagar suas dívidas.

Segundo o correspondente da BBC em Washington Paul Adams o Tesouro americano já está elaborando um planos de emergência no caso de um acordo não ser fechado antes da terça-feira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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