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Republicanos são contrários a socorrer GM, Ford e Chrysler

Para os senadores, a ajuda só serviria para protelar o fim das empresas

AP, Washington, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2008 | 00h00

Alguns dos principais senadores republicanos disseram ontem que vão se opor ao plano democrata para o resgate das montadoras de Detroit, chamando a indústria americana de "dinossauro" cujo "acerto de contas" estaria próximo. A oposição levanta sérias dúvidas sobre a possibilidade de o plano ser aprovado na sessão do congresso nesta semana. Os líderes democratas querem usar US$ 25 bilhões dos US$ 700 bilhões destinados ao resgate da indústria financeira para ajudar a General Motors Corp., a Ford Motor Co. e a Chrysler LLC. Os senadores republicanos Richard Shelby e Jon Kyl disseram que seria um erro utilizar parte do dinheiro destinado ao resgate de Wall Street para sustentar as montadoras. Isso, segundo eles, só adiaria o falecimento da indústria. "Empresas vão à falência todos os dias, e surgem outras que assumem. Não devemos trilhar este caminho", disse Shelby, principal republicano membro do comitê senatorial para assuntos bancários, urbanos e relativos à moradia. "Elas não estão produzindo o tipo certo de produto", disse Shelby. "Essas montadoras contam com bons funcionários, mas não acho que a sua gerência administrativa seja competente." "Elas não inovam. Em certo sentido, são como dinossauros", acrescentou Kyl, o segundo senador mais importante na hierarquia republicana. "Simplesmente dar a elas US$ 25 bilhões não muda nada. Isso apenas adiaria o acerto de contas em cerca de 6 meses." A presidente da câmara, Nancy Pelosi, disse durante o fim de semana que a câmara ofereceria ajuda à combalida indústria, apesar de não ter estabelecido a quantia planejada para tal finalidade. "A câmara está pronta para ajudar", disse o deputado democrata Barney Frank, de Massachusetts, que preside o comitê da câmara para serviços financeiros. "Não há desvantagem em tentar o resgate." Mas os democratas dispõem apenas de uma estreita maioria no Senado, e o presidente George W. Bush se opõe à idéia de salvar as montadoras. Isto levanta a possibilidade de que qualquer ajuda às montadoras americanas tenha de esperar até 2009, quando Barack Obama assumir a presidência e os democratas ampliarem sua maioria no senado. Ao menos dois senadores republicanos apóiam um resgate das montadoras - George Voinovich e Kit Bond, do Missouri. Mas se os republicanos forem vistos como contrários ao resgate de uma indústria destinada à falência, eles correm o risco de enfrentar duradouros problemas políticos em Estados do Meio-Oeste que podem pender para qualquer um dos dois partidos políticos nas eleições. Obama venceu na maioria dos Estados industrializados durante a corrida presidencial, incluindo Ohio, um eterno campo de batalha eleitoral, e Indiana, que não votava num democrata para presidente desde 1964. Obama venceu em Michigan com facilidade depois de o candidato John McCain ter desistido do Estado semanas antes da eleição. O senador Carl Levin, democrata de Michigan, disse que as montadoras estão trabalhando para se adaptar a um mercado consumidor em transformação, mas precisam de ajuda imediata para sobreviver à atual crise que aflige o país e o mundo.

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