Repúdio ao protecionismo

Na quarta-feira, o diretor de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Gianetti da Fonseca, comemorava decisão do Ministério do Desenvolvimento de exigir licenciamento prévio às importações e, dessa forma, instituir barreiras comerciais não tarifárias, proibidas por tratados internacionais.Alguns minutos depois desse festejo público, o presidente Lula mandou revogar a decisão porque "não quero o Brasil identificado com protecionismo".Também na quarta-feira, esta coluna (Protecionismo é o deles) criticou os dirigentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Fiesp, não só pelo jogo protecionista que querem fazer, mas também pela duplicidade de posição e atitudes em relação aos juros praticados no mercado. Denunciam, com a contundência de que são capazes, os juros básicos (Selic) definidos pelo Copom, hoje de 12,75% ao ano, mas não dizem uma só palavra contra os juros praticados pelos demais empresários (banqueiros ou não) no financiamento do capital de giro, no desconto de duplicatas, no cartão de crédito, no cheque especial, no financiamento pessoal e nas vendas a prazo, que chegam a ultrapassar os 100% ao ano.Na condição de presidente da CNI, o empresário Armando Monteiro Neto rechaça "de forma veemente" o conteúdo da coluna. Ele afirma que nunca defendeu as medidas protecionistas que o Ministério do Desenvolvimento tentou implantar. E que foi o primeiro a qualificá-las como "trapalhada".E enumera vários documentos oficiais em que a CNI afirma e reafirma seus compromissos com a desburocratização, com a competitividade e com o cumprimento das obrigações dos empresários perante o Fisco.Mas Monteiro Neto não refutou a crítica de que os dirigentes das entidades que representam os empresários se omitem na condenação dos juros cobrados do tomador de crédito, talvez porque o comércio e a indústria, portanto também os empresários, cobram dos seus clientes, ou do próprio consumidor final, escancarada ou disfarçadamente, juros equivalentes aos cobrados pelos bancos.Esses juros ou estão incorporados ao valor da fatura ou já integram o preço final à vista, pagável em várias prestações mensais "sem juros".A título de resposta, aqui vão trechos das mensagens recebidas de três leitores, a propósito da mesma coluna.Clientelismo - "Posições como a da atual direção executiva da Fiesp são subproduto de opacas lideranças que hoje apequenam o setor produtivo brasileiro. A crise serve para que significativa parte dessas lideranças usem dinheiro público sem transparência. Por que não questionam bancos que se apossam do compulsório para comprar títulos públicos? Por que não exigem critérios na aplicação dos próximos R$ 100 bi do BNDES? São clientelistas, de mentalidade estacionada no período mercantilista. Enquanto isso, pequenas e médias empresas brasileiras, que mais criam emprego, estão relegadas à própria sorte." - José Henrique Barreto, diretor eleito da Fiesp e presidente do Sindifumo-SPTempos do Simca - "Não fosse a abertura iniciada no governo Collor, a Fiesp e a Abimaq estariam orgulhosas de ainda produzir computadores Scopus vendidos a US$ 10 mil cada um. Ainda estaríamos dirigindo Simca Chambord modelo 2009, não muito diferente do de 1959. Até hoje a Abimaq impede que o parque industrial brasileiro importe maquinário de ponta a custo mais baixo, o que ajudaria a tirar o Brasil da posição insignificante que ocupa na cadeia de comércio mundial." - Roberto Araujo, rdnaraujo@terra.com.brCorporativismo - "Os líderes das entidades patronais e os líderes dos sindicatos dos empregados só pensam corporativamente, neles próprios." - Ricardo Gouvêa, advogado (www.portugalgouvea.com.br)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.