Requião critica recursos do governo para aftosa

Ao retornar ontem de viagem à França, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), anunciou estar abrindo mão dos recursos de R$ 1,5 milhão prometidos pelo Ministério da Agricultura para que o Estado faça trabalhos de contenção contra a febre aftosa, que atingiu rebanhos de Mato Grosso do Sul. "Estamos abrindo mão dessa fabulosa quantia que o governo federal pretende nos dar", ironizou. "Não precisamos dessa ninharia, mas pode fazer falta para a fiscalização em Mato Grosso do Sul."Por isso, ele pediu que o secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, envie ofício ao ministério dispensando os recursos. "Devem ser destinados ao Estado de Mato Grosso do Sul para melhorar a verba ridícula que eles também estão recebendo", afirmou. "Somando duas verbas rigorosamente ridículas podemos ter alguma coisa significativa." Ao mesmo tempo, Requião disse que toda a estrutura do governo paranaense, incluindo os equipamentos aéreos, estão à disposição do governador de Mato Grosso do Sul, José Orcílio, o Zeca do PT. "Vamos radicalizar na solidariedade", acentuou.Requião ressaltou que o Paraná não recebeu "nenhum tostão" do governo federal para a defesa sanitária animal nos últimos três anos. Ele creditou a "culpa" pelo aparecimento da aftosa no Estado vizinho ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que não teria liberado recursos para o Ministério da Agricultura. "A ausência e a tibieza (fraqueza) do ministério e do ministro junto, com essa visão neoliberal de não se incomodar com nada a não ser com o pagamento de juros nos levou a esse desastre", criticou.Mas ele não deixou de provocar também o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. "Se o ministro tivesse a mesma garra na defesa da saúde animal que tem na defesa dos transgênicos, realmente a gente não estaria enfrentando esse problema", disse. "Diante da não liberação (de recursos pelo Ministério da Fazenda) qualquer ministro com espinha dorsal de verdade teria se demitido para que nós não acabássemos num escândalo e num prejuízo brutal como esse que o Brasil está sofrendo."DESCOBERTA A febre aftosa foi descoberta na Itália no século XVI.Está presente de forma endêmica em regiões daÁsia, América do Sul, África e OrienteMédio. Houve surtos na Grécia,Taiwan,Argentina, Brasil,Uruguai, Japão e Reino Unido. SINTOMAS A febre aftosa é talvez a doença mais temida pelospecuaristas. Nos animais, ela provoca afta na boca e na gengiva,além de feridas nas patas e nas mamas. A vaca fica em estadofebril, não consegue pastar, perde peso e produz menos leite.Já nos humanos, são raros os casos decontaminação, mas eles não podem ser descartados.Os sintomas são febre leve e calafrios, bem como bolha nasmãos e na boca. Contudo, a doença não chega aprovocar risco de morte entre os humanos. CONTAMINAÇÃO Os animais que podem ser contaminados pelo aftovírus sãobois, porcos, cabras e ovelhas. No caso dos humanos, acontaminação é bem mais difícil e sóacontece se a pessoa ficar em constante contato direto com animaiscontaminados. TRANSMISSÃO o aftovírus pode ser transmitido pelo leite, carne e saliva doanimal doente. A doença também étransmissível para animais pela água, pelo ar e porobjetos e locais sujos. Humanos não transmitem o vírusentre si, mas podem levar na roupa, caso tenham entrado em umaárea onde há aftosa. PREVENÇÃO Não existe tratamento contra a Febre Aftosa e sim medidaspreventivas específicas pelo uso de vacinas. No Brasil, oprocesso mais aconselhável é a vacinaçãoperiódica dos rebanhos, assim como a imunização detodos os bovinos antes de qualquer viagem. Em geral a vacina contra a febre aftosa é aplicada, de 6 em 6meses, a partir do 3º mês de idade. No Estado de SãoPaulo deve ser feita nos meses de março e setembro. Naaplicação devem ser obedecidas asrecomendações do fabricante em relaçãoà dosagem, tempo de validade, método deconservação e outros pormenores.

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