Reservas de gás em terra vão a leilão nesta quinta-feira

12º rodada de licitações da ANP será a primeira voltada para o desenvolvimento das reservas brasileiras de gás em campos em terra

WELLINGTON BAHNEMANN E ANDRÉ MAGNABOSCO, Agência Estado

28 de novembro de 2013 | 07h52

Depois dos aeroportos e rodovias, é a vez do petróleo e do gás. A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) promove nesta quinta-feira, 28, o terceiro leilão de petróleo e gás de 2013. A partir das 9h, terá início a 12ª Rodada de Licitações, a primeira voltada para o desenvolvimento das reservas brasileiras de gás em campos em terra. A concorrência reunirá sete bacias sedimentares nos Estados do Amazonas, Acre, Tocantins, de Alagoas, do Sergipe, Piauí, Mato Grosso, de Goiás, da Bahia, do Maranhão, Paraná e de São Paulo. Apesar da expectativa criada em torno da concorrência, uma série de incertezas afastou investidores.

O potencial de descoberta dos chamados recursos não convencionais de óleo e gás levou a concorrência a ser chamada de leilão do gás de xisto (shale gas), em alusão à exploração do shale gas nos Estados Unidos - o termo correto é gás de folhelho. A revolução energética provocada shale gas nos EUA, que reduziu fortemente o preço do insumo, criou a expectativa de um movimento parecido no Brasil.

Apesar do otimismo, o leilão é cercado por incertezas do ponto de vista comercial, ambiental e regulatório. Um dos pontos mais polêmicos diz respeito à técnica usada para exploração dos recursos não convencionais. O procedimento de fraturamento do solo usa a injeção de água misturada a produtos químicos, gerando risco de contaminação dos lençóis freáticos. A técnica de fraturamento hidráulico não é regulamentada no Brasil.

Além disso, estudo produzido por órgãos do governo concluiu que alguns blocos se sobrepõem a unidades de conservações ambientais e a reservatórios de hidrelétricas, além de estarem próximas de áreas indígenas.

No lado comercial, a venda de gás para a geração de energia elétrica é vista como a melhor opção para monetizar as reservas a serem descobertas, já que os blocos estarão localizados longe dos principais gasodutos do País. Com a termoelétrica construída na boca do poço, os investidores podem tirar vantagem da alta capilaridade da rede de transmissão de energia elétrica. O risco desse plano é que as térmicas a gás não têm sido bem-sucedidas nos leilões de energia do governo, perdendo muito espaço para eólicas.

"O movimento da ANP é correto, mas não é o melhor momento para realizar a licitação", disse o presidente do Conselho de Administração da consultoria Gas Energy, Marco Tavares. Das 21 empresas qualificadas para o leilão, 12 apresentaram garantias. Na lista, há gigantes como Petrobras, Shell e Total. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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