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Reservas de petróleo do Brasil crescem 20%

Nove meses e cinco descobertas de novos campos de petróleo e gás natural foram o suficiente para que as reservas brasileiras registrassem um crescimento superior a 20%, depois de pelo menos cinco anos com as taxas oscilando em torno dos 9 bilhões de barris. O sucesso nos trabalhos exploratórios da estatal vai se traduzir em investimentos de até US$ 3 bilhões e um aumento superior a 50% nas receitas do Estado mais beneficiado pelas descobertas: o Espírito Santo. Segundo o presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Elói Fernandez y Fernandez, apenas as novas descobertas no Espírito Santo vão demandar aproximadamente US$ 2 bilhões para entrar em operação. "Este campo vai precisar de pelo menos duas plataformas. Cada uma delas, com os sistemas submarinos necessários, sai a cerca de US$ 1 bilhão", avalia. O campo descoberto fica no bloco BC-60, também na Bacia de Campos, mas em frente ao litoral do Espírito Santo. Nele, foram encontradas duas outras jazidas, chamadas de Cachalote e Jubarte, com reservas totais de 900 milhões de barris de petróleo. A estatal não informou ainda se vai desenvolver todos os projetos em conjunto ou individualmente. São 1,5 bilhão de barris em reservatórios a 10 quilômetros de distância entre si, ou seja, o mesmo que um campo do tamanho de Albacora, que teve uma produção média, em 2002, de 136,8 mil barris por dia. As novas descobertas não terão efeito na busca pela auto-suficiência, pois o tempo de maturação de projetos como este não é inferior a três anos. A Petrobrás planeja que em 2006, apenas com o aumento da produção nos campos já existentes, o País chegue a um volume de produção equivalente ao consumo interno de petróleo. Mas os campos de Cachalote e Jubarte já inflaram em 900 milhões de barris as estatísticas de reservas do ano passado, que totalizaram 10 bilhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás), segundo a estatal. O aumento da atividade petrolífera ao norte da Bacia de Campos anima o governo capixaba, que espera um aumento de 50% em sua receita, sem calcular a última descoberta, diz o secretário de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno. Além disso, acrescenta Fernandez, o desenvolvimento da indústria petrolífera local atrai investimentos em outros setores da economia, como o imobiliário, o de alimentação e os serviços. O Espírito Santo foi considerado uma das primeiras apostas alternativas à Bacia de Campos pelas companhias privadas que chegaram ao País com o fim do monopólio, com alta procura durante os primeiros leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Atualmente, o Estado produz apenas cerca de 50 mil barris de petróleo por dia, a maior parte em pequenos campos em terra. O início das operações em alto-mar, só nos campos operados pela Petrobrás, pode elevar em mais de 5 vezes esse volume, segundo especialistas. A Shell também descobriu petróleo na costa do Estado, em um campo denominado BC-10. São 150 milhões de barris, cuja operação definitiva ainda está em análise pela empresa. São PauloOutro Estado beneficiado por esta nova onda de descobertas foi São Paulo. A cerca de 137 quilômetros de São Sebastião está a maior jazida de gás natural do Brasil, com 70 bilhões de metros cúbicos, encontrada pela estatal em abril. O volume descoberto representou um crescimento de 30% nas reservas brasileiras de gás. O desenvolvimento da jazida, porém, ainda vai depender das condições do mercado brasileiro de gás natural, que sofre pela estagnação do consumo e pelo excesso de oferta do produto importado da Bolívia. Santa Catarina e Paraná, que disputam na Justiça a posse de uma faixa de mar em frente à divisa entre os dois Estados, vêm logo atrás na fila. Em dezembro, a estatal anunciou a descoberta de uma jazida com óleo de excelente qualidade na região, cujo potencial ainda está sob avaliação. Na semana passada, a empresa informou que os resultados do início das operações nos Campos de Coral e Estrela do Mar, também naquela área, foram melhores do que o esperado. O primeiro poço em produção no campo atingiu uma vazão de 10 mil barris de petróleo por dia, "superando significativamente as previsões iniciais", segundo a empresa. Os campos também possuem óleo leve, semelhante ao árabe, que produz combustíveis de melhor qualidade a menor custo. A estimativa da estatal é de que o campo de Coral atinja 20 mil barris de petróleo por dia com a conexão de mais 2 poços à plataforma. Na Bacia de Campos, região responsável por 82% da produção nacional de petróleo, a empresa obteve outro sucesso. Encontrou, no final de janeiro, uma extensão da jazida de Marlim Leste, que elevou as reservas do campo de 270 milhões para 420 milhões de barris de petróleo.

Agencia Estado,

18 de maio de 2003 | 11h05

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