Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Reservas de Tupi superam projeções

Petrobrás muda o nome da maior reserva brasileira para campo de ''Lula'' e estima seu potencial, junto com o poço Iracema, em 8,3 bilhões de barris

Nicola Pamplona, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

A Petrobrás se antecipou em dois dias e anunciou ontem a declaração de comercialidade dos projetos Tupi e Iracema, no pré-sal da Bacia de Santos, prevista para o dia 31. Em comunicado oficial, a companhia surpreendeu o mercado ao anunciar reservas recuperáveis de 8,3 bilhões de barris de petróleo e gás na concessão BM-S-11, onde estão os projetos - valor superior ao teto da projeção inicial, que falava em 5 a 8 bilhões de barris.

A Petrobrás informou também que vai trocar o nome da maior reserva brasileira de petróleo, de Tupi para Lula, em homenagem velada ao presidente da República - a legislação determina que os campos marítimos de petróleo sejam batizados com nomes de animais marinhos. Iracema ganhou o nome de outro molusco, Cernambi.

Qualidade. Segundo o documento, o campo de Lula tem reservas de 6,5 bilhões de barris e Cernambi, de 1,8 bilhão de barris. Inicialmente, a companhia acreditava que os dois projetos eram unidos, mas análises posteriores indicaram que trata-se de dois reservatórios diferentes. Cernambi tem petróleo de melhor qualidade do que a área de Lula, com 30 ° API (medida internacional de qualidade), contra 28° API deste último.

A divulgação se deu a dois dias do fim do prazo exploratório do bloco BM-S-11, o maior do pré-sal até o momento, arrematado pela estatal na 2ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 1999. Com a declaração de comercialidade, o concessionário é obrigado a apresentar à agência um plano de desenvolvimento das reservas, com o detalhamento dos investimentos necessários para extrair petróleo e gás.

O volume de petróleo confirmado em Lula e Cernambi equivale a cerca de 60% das reservas atuais da estatal, que variam entre 12 e 14 bilhões de barris de petróleo e gás, dependendo do critério utilizado. Analistas acreditam, porém, que a estatal não vai incorporar todo esse volume novo em suas estatísticas de reservas provadas, que deve ser divulgada até o próximo dia 15.

"Alguma coisa deve entrar (no relatório de reservas), mas não creio que tudo", disse o analista-chefe da corretora Banif, Oswaldo Telles. "Os volumes recuperáveis de Tupi e Iracema irão paulatinamente sendo incorporadas às reservas provadas ao longo dos próximos anos e respeitando uma série de critérios", reforçou a analista Mônica Araújo, da corretora Ativa.

A divulgação do número exato surpreendeu os analistas, uma vez que a estatal não é obrigada a abrir os dados nesse momento, lembrou Telles. No mês passado, a BG, sócia do projeto, divulgou uma projeção de reservas em 8,9 bilhões de barris e foi desmentida pela estatal, em uma situação que gerou mal-estar entre as partes. Para a BG, a Petrobrás era conservadora em suas projeções. A portuguesa Galp é a terceira sócia no projeto.

O campo de Lula já produz petróleo, por meio de duas plataformas - a primeira, Cidade de São Vicente, faz um teste de longa duração; e a segunda, Cidade de Angra dos Reis, é o projeto piloto de produção. No ano que vem, a área deve receber uma terceira unidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.