Reservas devem chegar a US$ 100 bi na próxima semana

A compra de dólares pelo Banco Central em janeiro foi recorde e já se sabe de antemão que este recorde foi superado em fevereiro. De acordo com dados divulgados pela instituição nesta sexta, o total chegou a US$ 4,832 bilhões no primeiro mês do ano. Contudo, os números de fevereiro que já estão disponíveis no site do Banco Central mostram que este volume pode chegar a US$ 9 bilhões neste mês. O que era esperado para o mês de abril, portanto, pode se confirmar até o final na próxima semana: as reservas internacionais do País podem chegar a US$ 100 bilhões.Isso porque neste mês a média diária de compra de dólares está em torno de US$ 0,5 bilhão de dólares. Ainda faltam quatro dias úteis para o final do mês e as reservas até ontem, dia 22, estavam em US$ 98,208 bilhões. Ou seja, se o BC continuar comprando dólares neste ritmo - e só considerando a compra de dólares - o patamar de US$ 100 bilhões será de fato ultrapassado nos próximos dias.O aumento das reservas neste ritmo tem provocado críticas por parte de muitos analistas. Segundo eles, o Brasil precisa de investimentos e não faz sentido deixar estes recursos praticamente parados.Eles argumentam que boa parte destes dólares é usada para comprar títulos do tesouro norte-americano, que remuneram a uma taxa anual de aproximadamente 5%. Considerando que, no mercado interno, o governo paga juros de 13% ao ano em seus títulos, isso significa uma ´perda´ financeira para as contas do País. A diferença entre estas taxas resultaria em um prejuízo de aproximadamente US$ 5 bilhões por ano.Veja no link ao lado o comentário do colunista do Estadão Celso Ming sobre os objetivos do Banco Central em acumular um grande volume de reservas.DefesaO governo se defende. Ao anunciar o resultado das contas de janeiro, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou que "se o Banco Central ainda está comprando (dólares) é porque há espaço. Tem um número adequado para a recomposição das reservas? Não sei qual é". Altamir disse que somente os integrantes do board do Banco Central é que poderiam responder a pergunta.Ao ser questionado sobre o custo maior para o Tesouro Nacional da manutenção das reservas internacionais, o chefe do Depec respondeu: "É um seguro. Para todo seguro se paga um prêmio", disse. Segundo ele, três princípios orientam a ação do BC na compra de dólares: não afetar a liquidez (volume de negócios) do mercado, não trazer oscilação e não afetar a taxa de câmbio. Essa orientação foi divulgada em 2004 pela autoridade monetária.ProjeçõesNa divulgação dos dados de janeiro, o BC também elevou a projeção de reservas internacionais para o final deste ano de US$ 90,274 bilhões para US$ 95,821 bilhões. Essa projeção não leva em conta as compras de dólares feitas pelo BC ao longo de fevereiro.Colaboram Adriana Fernandes e Gustavo Freire

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.