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Reservas do BC argentino têm o menor nível desde 2007

Autoridade monetária perdeu 28% de suas reservas desde 2011 e tem hoje US$ 37,8 bi

Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S.Paulo,

27 de junho de 2013 | 15h33

BUENOS AIRES - As reservas do Banco Central argentino continuam caindo, seguindo a tendência dos últimos dois anos e meio. Segundo dados da entidade monetária, o BC contava com US$ 37,851 bilhões até esta quinta-feira, 27. Este é o nível mais baixo desde 2007, ano em que iniciou o governo da presidente Cristina Kirchner.

O ponto culminante de reservas ocorreu em janeiro de 2011, quando o BC alcançou a faixa de US$ 52,497 bilhões. De lá para cá a entidade monetária argentina perdeu 27,89% de suas reservas. Os dados do BC também indicam que as reservas encolheram em US$ 5,45 bilhões desde janeiro deste ano.

A sangria de fundos continuaria até o fim deste ano, já que nos próximos meses o governo da presidente Cristina recorrerá ao BC para realizar os pagamentos dos vencimentos da divida pública (bônus Bonar VII e Discount). Desta forma, as reservas do BC poderiam cair para US$ 35 bilhões.

Desde o início de 2010 o governo Kirchner usa reservas do BC para pagar os títulos da dívida pública com credores privados e organismo multilaterais de crédito. Naquele ano, para poder implementar esta política, a presidente Cristina removeu o então presidente do BC, Martín Redrado, que recusava-se a usar as reservas com esse fim.

O governo Kirchner argumenta que o uso das reservas tem o objetivo de "propiciar o máximo de certezas sobre a Argentina", gerando uma garantia de que o país não dará o calote. No entanto, os líderes da oposição sustentam que a Casa Rosada está "dilapidando" as reservas do BC.

Além do pagamento da dívida pública as reservas estão sendo usadas para a importação de energia (o país está à beira da crise energética desde 2004).

Outro fator que teve grande influência na queda das reservas foi a política do governo Kirchner de usar os fundos para compensar a saída de depósitos em dólares dos bancos privados e tentar combater a disparada do dólar paralelo.

Em outubro de 2011 a presidente Cristina deflagrou uma cruzada anti-dólar, proibindo que os argentinos comprem dólares para poupar. Isso implicou em uma reviravolta do cotidiano do país, já que os argentinos refugiam-se na moeda americana há quatro décadas. Desde a implantação do denominado "corralito verde" as reservas do BC encolheram em 24,4%.

Além disso, os economistas em Buenos Aires alertam desde o ano passado para o encolhimento das reservas do BC, já que elas não são suficientes para respaldar - de acordo com a cotação oficial do dólar - o volume de pesos em circulação. A base monetária em pesos equivale a US$ 59 bilhões.

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