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Reservas do Tesouro para enfrentar turbulências chegam a R$ 647 bilhões

Recursos, que mais que triplicaram desde 2013, garantem pagamento de títulos da dívida e dão, segundo o governo, mais segurança para enfrentar qualquer cenário mais difícil; reservas internacionais, de US$ 381,6 bilhões, também estão em nível recorde

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 04h00

Apesar da crise fiscal que vive, o Brasil está hoje muito mais preparado para enfrentar as turbulências de mercado do que estava há alguns anos. No caixa do Tesouro, o colchão de recursos para bancar o pagamento de títulos públicos cresceu mais de três vezes nos últimos cinco anos, chegando atualmente a R$ 647,4 bilhões, o que reduz sensivelmente qualquer risco de calote.

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Além disso, o País conta ainda com US$ 381,6 bilhões em reservas internacionais, administradas pelo Banco Central – e que poderiam ser usadas para evitar uma crise cambial. E há ainda mais R$ 9 bilhões no caixa do Tesouro para bancar todos os vencimentos da dívida externa do governo nos próximos 12 meses.

Para o subsecretário de dívida pública do Tesouro, José Franco Medeiros de Morais, essas três linhas de defesa garantem, do ponto de vista macroeconômico, uma situação confortável para eventuais turbulências que o País venha a enfrentar nos próximos meses.

É uma situação muito diferente da vivida na campanha presidencial de 2002, por exemplo, quando a eleição do ex-presidente Lula levou o dólar para o patamar de R$ 4. O colchão de liquidez da dívida interna estava em R$ 40 bilhões, e as reservas internacionais no BC eram de apenas US$ 37,24 bilhões. Também não havia nenhuma reserva em caixa para o pagamento da dívida externa.

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Franco destacou que, em 2013, esse colchão de liquidez estava em R$ 200 bilhões. Na época, essa reserva de dinheiro bancava três meses de pagamento de títulos. Hoje, a reserva banca de oito a dez meses. O subsecretário explicou que esse montante aumentou porque houve uma reversão de expectativas em relação ao cenário econômico brasileiro. O Tesouro vendeu mais títulos do que aqueles que venceram, o que permitiu a entrada de mais dinheiro no caixa, que hoje está em R$ 1,07 trilhão.

Desse total, 60% compõem o colchão de liquidez da dívida. O subsecretário disse que o Tesouro está preparado para enfrentar as turbulências e os próximos vencimentos até o final do ano que somam cerca de R$ 250 bilhões.

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Contas. Para o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Manoel Pires, além dessas “barreiras”, o País está numa situação mais tranquila também por causa dos juros e da inflação mais baixos – que funcionam como escudos de proteção.

Segundo ele, o País está bem posicionado para qualquer “surpresa” nos juros dos Estados Unidos, cenário que está ditando principalmente o comportamento do dólar, que vem se fortalecendo frente às demais moedas – o que já provocou até um pedido de ajuda da vizinha Argentina ao FMI (ver mais na página B6). “É o que parece que a psicologia de mercado está precificando”, disse Pires, que foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

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Ele ressaltou, contudo, que o Brasil continua vulnerável em relação às contas públicas e enfrenta dificuldades para aprovar as reformas. Na sua avaliação, uma maior turbulência nas eleições vai depender muito da programação de política econômica de cada candidato à Presidência. “O que está acontecendo hoje é muito mais uma revisão do cenário global do que do risco Brasil por conta das eleições”, disse.

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