Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Reservas e ajuste externo reduzem risco de calote do Brasil, diz diretor do BC

Segundo Tony Volpon, diretor de Assuntos Internacionais, essa 'poderosa combinação' se contrapõe às incertezas, mas não reduz a necessidade de se fazer um ajuste nas contas públicas

Victor Martins, O Estado de S. Paulo

21 de março de 2016 | 11h08

BRASÍLIA - O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Tony Volpon, afirmou nesta segunda-feira em Kyoto, no Japão, que o ajuste cambial no Brasil, a melhora das contas externas e o elevado nível das reservas internacionais diminuem o risco de calotes pelo País. 

Volpon não usou o termo calote, mas disse que os fatores listados por ele são uma "poderosa combinação" que diminuí o risco de o Brasil não honrar o que deve aos investidores estrangeiros, o que, por usa vez, tem servido como um contraponto às incertezas fiscais. A fala dele ocorreu durante palestra no 35th Central Bankers Seminar (CBS), organizado pela Nomura Securities.

Segundo o diretor, no entanto, essa visão positiva que os estrangeiros podem ter em função do ajuste nas contas externas não reduz a necessidade de uma consolidação fiscal no País. 

"Ter mais tempo para fazer o que é necessário não pode ser confundido com o não ter que fazer o que é preciso", disse em referência à dificuldade do Brasil em resolver os problemas nas contas públicas. 

Para Volpon, o ajuste fiscal é o único que está atrasado e, na avaliação dele, quando feito trará impactos para o crescimento por meio do canal da confiança. 

O agravamento da crise política, com o início formal da discussão e futura votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, interditou a apreciação de propostas do ajuste fiscal e outras matérias que poderiam melhorar as contas públicas.

A maior influência do PT e do ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto também já provocou um efeito colateral: as propostas para colocar as contas em dia ficaram em segundo plano. 

Criticado pelas lideranças petistas e com risco de ficar isolado no governo e até mesmo de ser substituído no cargo, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, abriu ainda mais a torneira do crédito, na contramão do ajuste fiscal no curto prazo.

(Com informações de Ricardo Brito)

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