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Reservas e compulsório crescem 60% desde 2008

Estratégia do BC para se defender de crises externas já deu resultados, mas recebe críticas

Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

Dois anos depois da mais grave crise financeira em 80 anos e com as incertezas sobre a recuperação ainda dominando o cenário econômico mundial, o Banco Central botou duas grandes defesas do Brasil - uma em dólar e outra em reais - em patamares superiores ao do período de turbulência.

As reservas internacionais e os depósitos compulsórios já subiram cerca de 60% em comparação com os saldos que o governo detinha em setembro de 2008.

Na semana passada, as reservas internacionais atingiram a marca de US$ 330 bilhões, novo recorde. Os depósitos compulsórios estão desde o início do ano rodando na casa de R$ 400 bilhões, refletindo a reversão das medidas de estímulo adotadas pelo governo na crise e, mais recentemente, as ações de aperto no crédito e combate à inflação.

O BC estufou esses dois enormes colchões com o objetivo não só de segurar o dólar e o ímpeto da atividade econômica, mas também para amortecer eventuais choques que podem vir do exterior. O governo está atento aos riscos originados da crise fiscal na Europa e também com possíveis tremores derivados da reversão, que ocorrerá em algum momento, da política de juro zero e emissão de dólares que vem sendo implementada pelo Federal Reserve (FED), o banco central americano.

Essas defesas em dólares e em reais já mostraram ser de grande valia no período imediatamente após a quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro de 2008, permitindo que o Brasil se recuperasse mais rapidamente que outras economias.

Porém, a despeito dos bons serviços prestados, o incremento desses colchões de recursos financeiros sofre questionamentos, porque também implica em custos para os cofres públicos e para a sociedade.

Juros caros. No caso das reservas internacionais, o impacto é nas contas públicas e se dá pela diferença entre os juros brasileiros, que remuneram os reais utilizados pelo BC para comprar os dólares que entram no País, e os praticados no exterior, que os bancos estrangeiros pagam na aplicação das reservas brasileiras. Nos compulsórios, o custo é mais direto na sociedade, que tem de arcar com taxas de juros mais altas praticadas pelos bancos para compensar o dinheiro que são obrigados a deixar parado no Banco Central.

O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luiz Afonso Lima, avalia que, embora sejam instrumentos úteis, os níveis atuais de reservas e compulsórios impõem custos excessivos. Para ele, apesar de não haver mais necessidade de acumulação adicional de recursos para defender a economia brasileira, as duas políticas têm tido continuidade porque o governo precisa compensar a falta de ação para aumentar a competitividade da produção nacional, via redução de carga tributária e melhora na infraestrutura do País.

Como não atua a contento nessa questão da competitividade sistêmica, o governo precisa comprar dólares para evitar a valorização excessiva do real, que mina ainda mais a competitividade da produção, e precisa trabalhar com compulsórios mais altos para conter a inflação gerada pelo ritmo de crescimento da demanda acima da capacidade de oferta de bens e serviços.

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