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Reservas internacionais do Brasil superam e US$ 150 bi

Reservas ficam bem acima do valor mais atualizado da dívida externa de médio e longo prazos do País

Fabio Graner, do Estadão,

16 de julho de 2007 | 21h32

As reservas internacionais brasileiras superaram a marca dos US$ 150 bilhões. De acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira, 16, pelo Banco Central (BC), o volume subiu US$ 765 milhões na última sexta-feira e chegou a US$ 150,692 bilhões. Com o crescimento, as reservas ficam bem acima do valor mais atualizado da dívida externa de médio e longo prazos do País, que era de US$ 145,334 bilhões em maio. São também mais que o dobro da dívida externa do setor público, que em maio somava US$ 74,97 bilhões.   Economistas avaliam que o Brasil já atingiu uma posição bastante confortável em termos de reservas e, se o BC quisesse, poderia até parar por aí sua política de acumulação de dólares. Mas eles não acreditam que isso que deva acontecer. Na visão dos analistas, o BC continuará comprando dólares e as reservas vão fechar o ano entre US$ 170 e US$ 180 bilhões. Ou seja, o volume vai praticamente "empatar" com toda a dívida externa, inclusive a de curto prazo.   Essa situação, que na prática indica que não há dificuldades em pagar a dívida externa, pode acelerar a chegada do "grau de investimento", uma espécie de selo de qualidade que as agências especializadas concedem a países considerados seguros para os investidores. Os economistas estimam, ainda, que as reservas superarão a marca dos US$ 200 bilhões em 2008.   A economista da Tendências Consultoria Alessandra Ribeiro avalia que o patamar atual das reservas já é suficiente para deixar o País em uma situação tranqüila na hipótese de mudanças de humor no front externo. Ela avalia que o volume atual, somado aos swaps cambiais reversos - operação que equivale a compra de dólares -, é capaz de defender o País de uma turbulência que leve a uma desvalorização repentina do real, o que provocaria inflação.   "Mas o BC não dá sinais de que vai parar de acumular enquanto houver fluxo positivo de dólares", disse Alessandra, que prevê reservas em US$ 172 bilhões ao final de 2007. "As reservas facilmente vão chegar a US$ 200 bilhões no ano que vem". Para a economista, o custo fiscal dessa política deixa sem sentido a continuidade da compra de dólares no ritmo que o BC vem fazendo. O custo é dado pela diferença entre a taxa de juros interna, que o governo paga para captar os reais necessários para comprar dólares, e a taxa de juros internacional, que remunera a aplicação das reservas.   Nível confortável - O estrategista-chefe do Banco BNP Paribas, Alexandre Lintz, também não vê sinais de mudança na política do BC e espera que as reservas fechem o ano em US$ 174 bilhões. Ele também considera o nível confortável. "Não há necessidade de acumular mais reservas, mas como há excesso de dólares, o BC vai continuar nessa política", disse, lembrando que o BC atua também com o objetivo de atenuar o movimento de apreciação do real ante o dólar, embora não tenha intenção de revertê-lo.   Lintz considera ainda que a posição externa do País está mais sólida também pelo elevado fluxo de comércio exterior. Isso faz com que, em movimentos de alta rápida no dólar, o próprio mercado contenha tal processo sem necessidade de intervenção do BC, à medida que os exportadores, aproveitando a cotação mais alta, entram no mercado vendendo a moeda e estabilizando o movimento.   A economista do Banco ABN Amro, Tatiana Pinheiro, destaca que, do ponto de vista da melhora do fundamento externo, o trabalho já foi feito pelo BC. "Mas o fluxo de dólares é muito grande e a política vai continuar. É uma decisão de governo", disse. Projetando que as reservas podem chegar a até US$ 180 bilhões neste ano, Tatiana lembra que, comparado a outros emergentes, o Brasil ainda não tem reservas tão elevadas. E pondera que, em relação ao custo fiscal, o pior momento já passou, pois os juros internos estão cada vez mais baixos.

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