Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Reservas vão financiar dívida externa de empresas

O governo vai utilizar as reservas internacionais para financiar o pagamento da dívida externa de empresas brasileiras (públicas e privadas) que não estão conseguindo rolar esses compromissos. Serão refinanciadas as parcelas que vencem até 2009. Com a medida, o governo espera contribuir para a redução dos juros no mercado interno e, ainda, ajudar na estabilização do mercado de câmbio. O governo espera usar nessas operações mais de US$ 10 bilhões do total de reservas - que supera os US$ 200 bilhões.O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que, com o agravamento da crise internacional, o mercado de crédito no exterior ficou muito restrito. Essa dificuldade de tomar recursos externos estava levando grandes empresas, consideradas de baixo risco, a disputar parte significativa do mercado interno de financiamentos, reduzindo a oferta para empresas menores e provocando uma elevação nos juros bancários. Isso vinha ocorrendo mesmo com as liberações de depósitos compulsórios feitas pelo BC, que restabeleceram parte do fluxo de crédito.O uso das reservas internacionais para o pagamento da dívida externa de empresas brasileiras terá um mecanismo relativamente simples. O BC vai editar uma circular estabelecendo o custo dos empréstimos para pagamento da dívida externa. Esse custo será baseado na Libor (a taxa interbancária do mercado de Londres) mais um determinado porcentual. A partir daí, qualquer empresa que tenha dívida a vencer neste fim de ano ou em 2009 poderá se dirigir a um banco habilitado e captar os recursos para pagar sua dívida no exterior. Ato contínuo, o BC fará a aplicação das reservas na instituição escolhida no montante do empréstimo tomado pela empresa. A medida é vista pelo governo como uma "excelente aplicação das reservas", já que os recursos voltarão para o caixa do governo em menos de 360 dias e, portanto, contabilmente, nem sairão das reservas. "A vantagem é que poderemos ganhar um pouco mais. Hoje, as taxas estão mais altas e poderão pagar uma remuneração maior", disse Meirelles.Segundo ele, a estimativa de usar mais de US$ 10 bilhões é imprecisa porque o limite será correspondente a 125% do total de vencimentos dos empréstimos externos das empresas durante o último trimestre de 2008 e ao longo de 2009. Ou seja, o BC vai financiar mais que a rolagem da dívida, contribuindo para as empresas obterem capital de giro adicional ou recursos para investir.

Fabio Graner e Adriana Fernandes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.