Reservas voltam a ficar acima dos US$ 70 bilhões

Após oito anos, as reservas internacionais voltaram a ficar acima da marca dos US$ 70 bilhões na última quinta-feira. A última vez em que isto havia acontecido foi em julho de 1998. Naquele período, as reservas estavam em US$ 70,210 bilhões, valor apenas US$ 22 milhões maior que os US$ 70,188 bilhões da última quinta. A posição divulgada nesta sexta pelo Banco Central (BC), entretanto, continua distante do pico histórico de US$ 74,656 bilhões alcançado em abril de 1998, quando o país precisava ter reservas altas para sustentar uma cotação do real quase igual a do dólar nos Estados Unidos. Com a flutuação do câmbio a partir de janeiro de 1999, as reservas passaram a flutuar entre US$ 28 bilhões e US$ 64 bilhões até o ano passado.A elevação recente das reservas vem sendo garantida pelas compras de dólares feitas pelo BC no mercado de câmbio quase que diariamente. Até o dia 15, a média diária das aquisições feitas neste mês estavam em torno do US$ 233 milhões. A manutenção do ritmo será suficiente para fazer com que as reservas venham a fechar agosto num patamar próximo dos US$ 73 bilhões. Para o economista da Arx Capital Management, Alexandre Sant´Anna, o BC tem acertado em manter o programa de recomposição das reservas. "Num momento de aversão ao risco e de menor crescimento mundial, ter reservas internacionais elevadas será um trunfo importante para manter a estabilidade econômica do País, e o BC já deu mostras que sabe disso", disse.Ao contrário de muitos economistas, Sant´Anna acha que o custo de acumulação das reservas não é impeditivo. "Os benefícios de se ter reservas mais altas são maiores que os custos", comentou. Ao abater uma eventual tendência de desvalorização da moeda, as reservas internacionais mais elevadas, na opinião do economista da Arx Capital, ajudam, de forma indireta, a manter a inflação baixa. Ele ressaltou, no entanto, que acha importante o BC ficar fora do mercado de câmbio em momento de aumento da volatilidade.

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